¿dequejeito?

Você entraria num avião?

Postado em 9 de setembro de 2014

Você entraria num avião cujo piloto acabou de fumar maconha? Não pensei duas vezes e corri pra dentro dele (mas antes fiquei uns 20 minutos na fila do embarque).  Lá dentro parecia ser um avião normal e, pelo que entendi, os passageiros não precisavam  fumar maconha igual ao piloto. Então relaxei e coloquei meus fones. Dormi.

Acordei com tapinhas no ombro, era a aeromoça me oferecendo algo para beber. Aceitei uma água sem gás.

— São cinco reais, senhor.
— Como?
— Cinco reais, a água – disse a aeromoça.

Não costumo viajar com dinheiro no bolso, ainda mais em aviões pilotados por maconheiros. Eu até entro num avião pilotado por um cara que acabou de fumar maconha, mas  não quer dizer que eu confie nele.

— Seguinte, eu to sem dinheiro – expliquei.
— Então o senhor terá de devolver a água.
— Mas eu já abri ela.

A aeromoça titubeou um pouco, pediu licença e voltou com um outro membro da tripulação (devia ser maconheiro também).

— O senhor poderia me acompanhar? – disse o cara.
— Como assim? Pra onde?
— Até lá atrás. O senhor terá de lavar a louça para pagar o que consumiu.

Por um momento achei que “lavar a louça lá atrás” era uma gíria para “pagar com sexo”, mas infelizmente era pior: significava realmente que eu teria de lavar a louça. Então tive de pensar rápido e argumentar com o aeromoço.

— Mas, meu amigo. Os copos e pratos são descartáveis.
— Oi?
— São descartáveis. Não há o que lavar – complementei.
— Não estou entendendo, senhor.
— Descartáveis…
— O que tem?
— Os copos…
— O senhor quer um copinho?
— Não! Eu não tenho dinheiro.
— Então por que o senhor entrou aqui?
— Por causa do piloto maconheiro, oras! – quase gritei.
— Que piloto? – perguntou o aeromoço.
— Do avião!
— Que avião? Isso aqui é uma sorveteria, senhor.
— É?
— (….) – o aeromoço ficou em silêncio.
— Tem de creme?

A hora do Rush

Postado em 6 de maio de 2008

Porto Alegre é uma cidade bizarra do caralho. Aqui é tipo um Mini Mundo, daqueles onde locomotivas de brinquedo percorrem caminhos meio a castelinhos e casinhas em tamanho miniatura. Mas disso falarei amanhã.

Hoje eu precisava chegar ao bairro Santana, que é aqui perto, mas como sou novo na cidade e rico, prefiro ir de taxi. Entrei no táxi na hora de maior movimento. O taxista, com um bigode muito charmoso, perguntou o local para onde eu gostaria de ir.

— É no Santana, Segue a Jeronimo Ornelas até a última travessa.
— Santana? Não conheço essa rua.
— Não amigo, Santana é o nome do bai…
— Peraí que vou pedir informação pra algum colega – interrompeu o bigodudo que parou o carro e foi até outro taxi perguntar onde fica a Rua Santana.

Seis minutos depois o taxista voltou ao carro e disse:

— O meu colega ali disse que não existe rua com esse nome.
— Não! É que o senhor entendeu errado…
— Não, entendi certo o que ele disse. – interrompeu o bigodudo.
— Não, tá havendo um confusão. – tentei explicar.
— Sim, está havendo. Essa rua não existe.
— Mas eu não quero ir pra nenhuma Rua Santana.
— Quer o que então? – me perguntou o taxista.

Respirei profundamente e, pausadamente, com um português perfeito e sem vícios de linguagem, disse ao taxista:

— Eu quero ir para o BAIRRO Santana.
— E eu com isso? — me respondeu.
— Ora bolas, eu quero ir até o bairro Santana – insisti.
— Sim, amigo. Mas o que isso me interessa?
— (…)
— Quer que eu chame um taxi pra ti? – perguntou o taxista.
— Isso aqui é um taxi, puta que o pariu! – gritei nervosamente.
— Taxi? Não é não.
— É o que então, porra?
— Oras, é uma sorveteria.
— Poxa, tem de creme?

O engano

Postado em 21 de novembro de 2007

Enquanto isso, numa terça-feira à tarde, no balcão de vendas da Mecânica TWA, o telefone toca. Ancelmo, que havia chegado atrasado naquela manhã, não estava nos seus melhores dias. Mesmo assim atendeu o telefone com simpatia.

— Alô, Mecânica TWA. Boa tarde.
— (…)
— Alô?
— (…)
— Alô? Quem é? Em que posso ajudá-lo?
— (…)
— Meu amigo, eu tenho mais o que fazer.
— (…)
— Alô?
— (…)
— O que você quer, caralho?
— (…)
— Isso é um trote?
— (…)
— Deve ser, né. E eu sou o babaca que fica falando merda sozinho.
— (…)
— E é por isso que eu nunca tive sequer um reajuste salarial.
— (…)
— Alô? Você está ainda aí?
— (…)
— Amigo, não faça isso.
— (…)
— Aqui é uma empresa de família.
— (…)
— Alô?
— (…)
— O senhor pensa que ligou pra casa da mãe Joana, meu amigo?
— (…)
— Favor respeito. Isso aqui é uma sorveteria com mais de…
— OPA!!!
— Alô?
— Tem de creme?

Apostando em cavalos

Postado em 14 de maio de 2007

Certa vez eu fui no Jockey Club ver as corridas. Um tio meu, que me acopanhava, disse que as corridas só tinham graça se envolvessem cinco coisas:

1) Cavalos
2) Mulheres
5) Dinheiro

Então eu e ele fomos à apostas.
Apostei todo meu dinheiro num cavalo chamado “Favos de Mel”, de número 4, era o azarão. Se existe uma coisa que eu aprendi em filmes, essa coisa é apostar nos azarões. Bom, outra coisa que eu aprendi nos filmes é a como colocar um ombro deslocado no lugar usando somente a arquitetura local, mas isso é uma outra história.

Meu cavalo não decepcionou sua fama de azarão e foi rigorosamente o último colocado, me fazendo perder todo o meu dinheiro. Mas não baixei a cabeça e fiz o que todo homem com moral e hombridade deve fazer numa ocasião dessas: Roubei uma loja de armas e disparei sete vezes contra aquele cavalo cretino.

Na cadeia foi diferente.
Os detentos já estavam me esperando felizes, pois parece que na cadeia eles não perdoam crimes como esse, contra os animais. Por isso os carcerários me deram uma cela especial, com papel de parede azul e uma aparelho televisor para me acompanhar naquela jornada.

Os dias se passavam e eu já não aguentava mais estar preso à aquela vida. Então, na terceira noite de prisão recebi um novo companheiro de cela. Era o Favos de Mel, que havia sido preso logo depois de deixar o hospital veterinário. Pelo que me contou, Favos de Mel estava envolvido numa rede de corrupção nas corridas, e era obrigado a chegar sempre em último lugar para que os grandes chefões da máfia jockeyclubista pudessem faturar milhões.

Bem que eu podia imaginar: Um azarão nunca chega em último. Mas naquele momento (e agora ainda) aquilo era passado e não mais me importava. A minha nova meta de vida era conseguir o perdão de Favos de Mel.

— Então, meu companheiro, equino. Sabes quem sou?
— Você? Não, amigo. Quem és?
— Sou o responsável por esta cadeira de rodas que usa.
— Óh, meu Deus. Você que atentou contra minha vida?
— Sim, quero lhe pedir perdão.
— Perdão pelo que?
— Por ter disparado sete tiros em você, pobre animal.
— Sete tiros?
— Sim, e te colocado nessa cadeira de rodas para cavalos.
— Cadeira de rodas? Cavalos?
— É, porra! Tá maluco, Favos de Mel?
— Você que tá. Não to lhe entendendo.
— Como não?
— Eu não sou um cavalo, amigo.
— Não? Como que não?
— Não. Eu sou um vendedor de sorvetes, cacete.
— Sorvetes?
— Sim, isso aqui é uma sorveteria.
— Hum… Tem de creme?

Pra fechar bonito a semana

Postado em 8 de dezembro de 2006

— Esse equipamento está desgastado. Apesar de ter somente 6 anos de uso, o equipamento está desgastado.

— Por que o equipamento está desgastado, senhor?

— Desgastado?

— Sim, por que?

— Quem falou que o equipamento está desgastado?

— O senhor.

— Que equipamento?

— O equipamento da aeronautica, senhor.

— Como assim?

— O equipamento.

— Você está equivocado. Não existe equipamento.

— Como não?

— Não existe.

— Mas o que aconteceu então?

— Nada.

— Mas e o equipamento?

— Que equipamento, meu filho? Onde você pensa que está?

— Aqui não é uma coletiva de imprensa?

— Não, aqui é uma sorveteria.

— Sorveteria?

— Sim. Uma sorveteria.

— Tem de creme?

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Dedicado à quem entende…

Postado em 23 de novembro de 2006

— Cara, aqui é a sorveteria?
— Sim, pois não?
— Tem de creme?

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A viagem – Parte 2 de 5

Postado em 16 de agosto de 2006

Há alguns meses eu e minha companheira Cintia viajamos para São Paulo a bordo de um Foker 100 da Ocean Air Lines. Era a primeira vez de ambos em um avião e estavamos afoitos com todo o clima aéreo da coisa.

A fim de aproveitar o máximo o dinheiro que vale uma passagem que, inclusive, eu não paguei, resolvi desfrutar de todas as comodidades que um passageiro pode ter. Tirei foto, reclinei o banco, li jornal, tomei suquinho, comi salgados variados, fui no banheiro, pedi ajuda pra aeromoça, fiz três séries de polichinelos, e… Bem, fiz quase tudo que pode ser feito dentro de um avião, exceto uma coisa: visitar a cabine do piloto.

— Por que você não pede pra ir ver, então?
— Mas será que vão deixar? – perguntei.
— Ué! tenta. – disse minha namorada.
— Não sei, acho que não.
— Aeromoça. Por favor. – gritou minha namorada.
— O que tu tá fazendo, porra? – indaguei.
— Tu vai na maldita cabine.
— Mas…

A aeromoça chegou até nossa poltrona e a Cintia pediu-lhe para me levar até a cabine do piloto. Para ajudar na persuasão ela aplicou na aeromoça que era meu aninversário e eu sonhava ser piloto, mas por uma disfunção no cérebro eu não poderia jamais comandar um vôo. A aeromoça se sensibilizou com a triste história inventada pela Cintia e resolveu me levar até a cabine.

Chegando lá o piloto e os seus ajudantes me cumprimetaram e me desejaram felicidades no dia do meu aniversário. Eu agradeci a oportunidade e tirei algumas dúvidas sobre aviões, tipo “Por que eles voam?”.

— E aquele botão ali, pra que serve? – perguntei.
— Qual botão?
— Esse aí no painel, no canto direito.
— Qual?
— Esse amarelo com uma luz vermelha em cima.
— Botão amarelo? – titubiou o piloto.
— O botão amarelo no painel.
— Que painel?
— Esse painel. Da cabine desse maldito avião.
— Avião?
— É, porra. Avião. – disse eu já gritando e descontrolado.
— Onde tem avião? – perguntou o piloto, olhando pro céu.
— Aqui, cacete. Aqui. – revoltado, gritei.
— Mas aqui é uma sorveteria.
— Sorveteria? – perguntei.
— Sim, sorveteria. Vendemos sorvetes.
— Hmm… Tem de creme?

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Mas hein?

Postado em 28 de março de 2006

Eu tava lembrando que há alguns anos eu recebi um e-mail da produção de um programa de televisão. No e-mail eles explicavam que tinham um quadro de humor com vídeos da internet e queriam um dos meus vídeos para transmitirem ao vivo no programa. Sem pestanejar perguntei quanto eu levaria nisso, afinal podem até me chamar de mercenário, mas esse povo da TV é cheio da grana e tem verba pra ficar gastando em merdas aleatórias.

A produção me explicou que era um programa independente e que não tinham verba para esse tipo de material. Eu entendi e dei uma mão. Disse que eles podiam usar meu vídeo, mas deveriam creditar ele à mim. Tudo certo, televisão ligada e lá estou eu acompanhando o programa quando que anunciam meu vídeo. Então depois de passar o vídeo todo o apresentador fala: “Ta aí esse vídeo muito engraçado que o moskito nos enviou e pediu para que nós passassemos para ele.”

Bom, onde eu quero chegar é que, as vezes, você tenta ajudar as pessoas e elas se deitam nas tuas costas. E foi mais ou menos isso que aconteceu comigo nesses tempos. Pois comprei um teclado (daqueles musicais) e, em poucos dias, já havia aprendido a tocar alguns acordes. Eu achei que meu nível estava bom, pois conseguia tocar a música do “Carroagens de Fogo” sem errar nenhuma nota. Então resolvi convidar um amigo e sair em turnê municipal.

Meu amigo tocava pandeiro.
E lá fomos nós tocar a música do “Carroagens de Fogo” em todas escolas públicas da cidade. Nossas apresentações eram a sensação da época. Muita presença de palco, muita alegria e um pequeno toque de charme, misturado com amor.

Um belo dia fomos nos apresentar num escola de Ensino Médio e, como sempre, fizemos a nossa parte. Depois dos aplausos o pessoal começou a gritar “Mas um… Mais um…” e aquilo nos deixou nervosos, pois a gente só havia aprendido a tocar a música do “Carroagens de Fogo” uma vez. Esse negócio de repetir a música era demais para nós. Não tinhamos tanto talento assim.

— Mais um… Mais um…
— Calma pessoal. A gente tem de ir embora.
— Mais um… Mais um…
— Desculpa mas não podemos.
— Mais um… Mais um…

Visto que os alunos do colégio jamais parariam de pedir, eu e meu companheiro panderista conversamos brevemente e decidimos tentar tocar novamente a música do “Carroagens de Fogo”. Mas eis que quando eu fiz o primeiro acorde no teclado, o diretor da escola veio a me interromper, gritando lá do fundo:

— Ei, ei.. O que é isso?
— Mas hein? – disse eu.
— O que vocês acham que estão fazendo?
— Ué, senhor. Estamos tocando.
— Tocando porque?
— Porque sim. A gente toca. Música, oras.
— Isso eu sei, né. – disse o diretor da escola.
— Mas então?
— Quero saber o que vocês estão fazendo aqui.
— Ué. Estamos tocando para os alunos.
— Que alunos?
— Os alunos, porra. Da escola.
— Que escola?
— Essa aqui, cacete – perdi a paciência.
— Aqui não é escola não, meu amigo.
— Mas hein? – indagou meu companheiro panderista.
— Aqui é uma sorveteria.
— Sorveteria?
— Sim.
— Tem de creme?

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Discussões sobre o mesmo tema

Postado em 15 de fevereiro de 2006

— Alô?
— Alô, quem é?
— É Maria.
— Dona Maria. Eu to aqui com um parente seu.
— E…?
— Houve um acidente…
— Ai meu Deus… É o Agustinho?
— Sim é ele.
— Ai meu Deus. O que houve com o Agustinho?
— Seguinte, dona. Seu flho tá com nóis e a gente vai matar ele.
— Ai meu deus.
— A senhora vai ter que nos pagar aí uma quantia.
— Mas…
— Senão a gente vai matar o Agustinho.
— Eu não estou entendo, meus Deus.
— Dona Maria. Isso é um sequestro, porra.
— Mas eu não entendo.
— O Agustinho vai morrer se a senhora não fazer um depósito…
— Mas eu não conheço nenhum Agustinho.
— Como não, cacete. É o seu filho, não?
— Não…
— Como não?
— Aqui é um sorveteria.
— Sorveteria?
— Sim, sorveteria.
— Hum… Tem de creme?

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Retratação (?)

Postado em 3 de fevereiro de 2006

Que saudades meu povo, que saudades.
Desde já vou me desculpando pela ausência de semanas aqui neste blog. Ficou difícil atualizar o blog, sendo que não podia ter contato com um computador, nem com qualquer outra forma de máquina sem vida, lá de onde eu estava.

Como todos sabem, eu me formei e agora posso cobrar mais caro pelos meus trabalhos. Eé justamente aí que tudo começa. Durante a cerimônia de colação de grau, na formatura, eu tive uma agradável surpresa que me deixou bem… hum… bem surpreso, digamos. Como prêmio por ser o formando com melhor média de graduação, dentre todos os formandos, eu poderia escolher entre uma passagem para a cidade de Três Coroas, no Rio Grande do Sul ou uma bolsa de estudos para uma Pós-Graduação em Responsabilidade Social.

No dia seguinte eu já estava embarcando no ônibus que me levaria à cidade de Três Coroas, conhecida intermunicipalmente pelas belas paisagens, variados rios propícios a canoagem, e seu maravilhoso mosteiro.

Chegando na cidade, procurei rapidamente um local aleatório para me refrescar do forte sol e tomar alguma graciosa bebida.

Estava lá eu sentado numa confortável cadeira da Sorveteria Petrópolis, contemplando um copo de suco de uva, quando aparece em minha frente um telefone verde, tocando. Um pouco confuso com a aparição, exitei, mas atendi o telefone.

— Alô?
— Quem está falando?
— É o Gabriel.
— Gabriel, fala que eu te escuto.
— Como?
— Diga qual o seu problema, Gabriel.
— Eu?
— Estaremos orando por ti, numa corrente de fé.
— Mas…
— Não tenha medo, Gabriel. Diga o motivo de sua ligação.
— Mas eu não liguei.
— Não?
— Houve algum engano. Aqui é uma sorveteria.
— Sorveteria?
— Sim.
— Aí vendem sorvete?
— Óbvio.
— Tem de creme?

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Este é o blog de Gabriel Von Doscht, um rico empresário que largou tudo para se dedicar ao seu verdadeiro dom: fazer pulseirinhas.