¿dequejeito?

O curioso caso de Gabriel Von Doscht

Postado em 27 de janeiro de 2009

Morar com a minha mãe nos anos noventa foi uma grande aventura. Nos natais ela sempre me dava meias, muitas meias. No dia seguinte ela escondia metade delas. Após alguns meses eu notava que não tinha mais tantas meias e lembrava que havia ganhado no natal vários pares.

— Mãe, cadê aquelas minhas meias que tu me deu no natal?
— Não sei do que tu tá falando – respondia ela.

Poucas horas depois, misteriosamente, aparecia um par de meias novo em cima da minha cama.

Com roupas mais sotifisticadas era ainda pior. Num aniversário ganhei dela uma jaqueta muito bacana, daquelas super estufadas com desenhos imensos de times de basquete americano bordados. Alguns dias depois coloquei a jaqueta pra sair, dar uma volta na cidade.

— Onde tu pensa que vai?
— Sair, dar uma volta na cidade.
— Com a jaqueta nova não.

Depois de uns dois anos, estava lá eu, com uma jaqueta  novinha e completamente datada no cabide, e muita vontade de tê-la usado no coração.

Hoje em dia eu não moro mais com a minha mãe, mas ela ainda me presenteia. Agora com artigos para a casa. Ontem ganhei um ventilador para enfrentar o calor de 40ºC de Porto Alegre. Junto com ele, na caixa, veio um bilhetinho escrito “Não usa nos dias muito quentes. Pode sobrecarregar o motor”.

Vamo ver no que dá.

Este é o blog de Gabriel Von Doscht, um rico empresário que largou tudo para se dedicar ao seu verdadeiro dom: fazer pulseirinhas.

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