¿dequejeito?

Férias: São José do Norte

Postado em 12 de fevereiro de 2008

São José do Norte é uma espécie de ilha que não é cercada de mar por todos os lados. Apesar disto, a única maneira de chegar lá é pelo mar. Então todos fingem que é uma ilha.

Em São José do Norte conheci a vó da Cintia, que me contou várias histórias sobre o município, como, por exemplo, a história de um padre que era negro e, por isso, sofria forte preconceito de todos habitantes da ilha (é bom frisar que a região sul do Rio Grande do Sul é como a região sul dos Estados Unidos: Todo mundo é racista). Segundo a vó da Cintia, o padre negro, muito aborrecido com a população, resolveu fazer uma macumba – sim, o padre fez macumba –  e almadiçoar a cidade que, desde então, vive sofrendo com a areia, que toma conta das ruas, das casas e dos olhos do pessoal que não anda de óculos. E assim todo mundo pensa que tem glaucoma.

Também conheci a igreja da cidade, que é uma daquelas igrejas construídas em mil oitocentos e hebe camargo pelo próprio Pedro Álvares Cabral e, por isso, todo mundo acha uma maravilha. Tudo muito bonito e dourado, como a igreja católica manda, mas o que mais me chamou a atenção foi o banner pendurado na parede do interior da igreja:

Católico, salve uma alma: traga um irmão não-católico para pagar o dizimo.

Tipo, que não basta o cara ir na igreja para ser salvo, precisa mesmo é pagar uma taxa.

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Soube que, atualmente, a população de São Jose do Norte está apavorada com um ladrão que anda invadindo as residências para roubar dinheiro e comer gostosuras da geladeira. Os habitantes contam que ele é um ótimo escalador e, por isso, o apelidaram de “Aranha”.

Mas a coisa mais sinistra que presenciei em São José do Norte é a vó da Cintia atravessando a rua. Toda vez que uma rua devia ser atravessada, a vó da Cintia, ao invés de cruzar rapidamente, de um lado ao outro, fazia um percurso diagonal que quase lhe custava a vida.

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Em alguns momentos a vó da Cintia chegava a andar paralelo aos carros. Sempre com um ar de tranqüilidade meio aos buzinaços dos motoristas indignados. Era apavorante.

Este é o blog de Gabriel Von Doscht, um rico empresário que largou tudo para se dedicar ao seu verdadeiro dom: fazer pulseirinhas.

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