¿dequejeito?

Apostando em cavalos

Postado em 14 de maio de 2007

Certa vez eu fui no Jockey Club ver as corridas. Um tio meu, que me acopanhava, disse que as corridas só tinham graça se envolvessem cinco coisas:

1) Cavalos
2) Mulheres
5) Dinheiro

Então eu e ele fomos à apostas.
Apostei todo meu dinheiro num cavalo chamado “Favos de Mel”, de número 4, era o azarão. Se existe uma coisa que eu aprendi em filmes, essa coisa é apostar nos azarões. Bom, outra coisa que eu aprendi nos filmes é a como colocar um ombro deslocado no lugar usando somente a arquitetura local, mas isso é uma outra história.

Meu cavalo não decepcionou sua fama de azarão e foi rigorosamente o último colocado, me fazendo perder todo o meu dinheiro. Mas não baixei a cabeça e fiz o que todo homem com moral e hombridade deve fazer numa ocasião dessas: Roubei uma loja de armas e disparei sete vezes contra aquele cavalo cretino.

Na cadeia foi diferente.
Os detentos já estavam me esperando felizes, pois parece que na cadeia eles não perdoam crimes como esse, contra os animais. Por isso os carcerários me deram uma cela especial, com papel de parede azul e uma aparelho televisor para me acompanhar naquela jornada.

Os dias se passavam e eu já não aguentava mais estar preso à aquela vida. Então, na terceira noite de prisão recebi um novo companheiro de cela. Era o Favos de Mel, que havia sido preso logo depois de deixar o hospital veterinário. Pelo que me contou, Favos de Mel estava envolvido numa rede de corrupção nas corridas, e era obrigado a chegar sempre em último lugar para que os grandes chefões da máfia jockeyclubista pudessem faturar milhões.

Bem que eu podia imaginar: Um azarão nunca chega em último. Mas naquele momento (e agora ainda) aquilo era passado e não mais me importava. A minha nova meta de vida era conseguir o perdão de Favos de Mel.

— Então, meu companheiro, equino. Sabes quem sou?
— Você? Não, amigo. Quem és?
— Sou o responsável por esta cadeira de rodas que usa.
— Óh, meu Deus. Você que atentou contra minha vida?
— Sim, quero lhe pedir perdão.
— Perdão pelo que?
— Por ter disparado sete tiros em você, pobre animal.
— Sete tiros?
— Sim, e te colocado nessa cadeira de rodas para cavalos.
— Cadeira de rodas? Cavalos?
— É, porra! Tá maluco, Favos de Mel?
— Você que tá. Não to lhe entendendo.
— Como não?
— Eu não sou um cavalo, amigo.
— Não? Como que não?
— Não. Eu sou um vendedor de sorvetes, cacete.
— Sorvetes?
— Sim, isso aqui é uma sorveteria.
— Hum… Tem de creme?

Este é o blog de Gabriel Von Doscht, um rico empresário que largou tudo para se dedicar ao seu verdadeiro dom: fazer pulseirinhas.

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