¿dequejeito?

Quase famoso

Postado em 26 de outubro de 2006

Bah, mas tu nem sabe o que aconteceu hoje. Fui acordado com a campainha tocando incansavelmente. Minha mãe atendeu e, do quarto, fiquei ouvindo ela conversar com alguma pessoa que queria algo.

Alguns minutos depois ela veio até o meu quarto e me chamou: “Tem alguém que quer conversar com você”. Levantei, descabelado (novidade, en) de pijama, baforento, e fui até a sala onde estava uma moça me esperando. Era uma jornalista do jornal de circulação aqui na minha cidade. Ela queria fazer uma matéria sobre o meu estado de saúde. Mais exatamente, sobre os preconceitos enfrentados por um portador de hemorróida.

Tentei dissimular e escapar da situação, dizendo que só daria entrevista se ela publicasse um artigo sobre a reforma do banheiro que a minha mãe está fazendo aqui em casa. A jornalista se empolgou com a idéia de uma matéria dúbia sobre um banheiro e uma hemorróida, e lá fomos nós fotografar a obra (o banheiro).

O fotografo do jornal pediu-me para fazer algumas poses na frente do antigo box destruído e outras duas poses na frente do sanitário. Logo após as fotos vieram as perguntas: “Quem foi que escolheu a cor branca para o piso?”, “Que remédio você está tomando para a hemorróida?”, “A pia vai ser de mármore?”.

Achei tudo um pouco estranho, mas respondi pois a jornalista me disse que havia grandes chances do pessoal da Globo ler o jornal e me chamar para ser astro de uma novela.

Ao final da entrevista fui informado que seria uma matéria paga. Pensei se tratar daquelas matérias que o indivíduo paga uma quantia e aparece no jornal, mas para minha surpresa era justamente o contrário. Ao invés de pagar, eu iria receber uma quantia relativamente grande para que minha história fosse publicada nas folhas do jornal. Fiquei feliz, cheio da grana. Nunca uma hemorróida me deu tanta alegria. Na verdade nunca uma hemorróida havia crescido em mim, mas já que cresceu, que venha para o bem. Vou colher os frutos da fama.

Ao final do dia fui informado que o prefeito da cidade está preparando uma solenidade para me entregar a chave da cidade. E não acaba por aí, pois a a coisa mais incrível disso tudo é que 95% desse texto é absolutamente verdade, exceto os dois último parágrafos.

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Este é o blog de Gabriel Von Doscht, um rico empresário que largou tudo para se dedicar ao seu verdadeiro dom: fazer pulseirinhas.

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