¿dequejeito?

O Tordilho Morto

Postado em 1 de agosto de 2006

Ontem eu fui acordado no meio do meu sono, às 15:30 da tarde, por um telefonema de uma pessoa estranha…

— Alô, Gabriel?
— Sim, quem é?
— É o Dilermando.

Bom, eu não conheço nenhum Dilermando. Até tenho um péssimo hábito de não me relacionar com pessoas que tenham nome começado pela letra D. Mas tudo bem, este tal Dilermando poderia ser um futuro cliente, e eu sempre preciso de dinheiro. Resolvi tratar bem.

— Opa, Dile! Tudo bom?
— É, beleza. E você? – perguntou ele.
— Tudo massa.
— Então, Gabriel… É o seguinte… O que tu acha de nós gravarmos aquela tua música?

Nesse momento tive um espasmo maligno. Eu simplesmente não possuo músicas, logo o telefonema se tratava de um engano. Tive certeza disso quando o tal Dilermando fez a pergunta seguinte…

— Tu ainda tem a música né? Aquela nativista…

Música nativista. Definitivamente era um grande engano. Então um “Você Decide” pessoal começou a ser transmitido na minha cabeça. Minha consciência Tony Ramos me indagava “Sim” ou “Não”. E eu tive de optar pela coisa mais correta a se fazer naquele momento… Ludbriar o Dilermando.

— Claro que tenho, Dilamar. – disse eu.
— Dilermando.
— Ah, sim. Dilermando.
— Pois então… Como tu sabe eu to pra gravar o meu CD.
— Sim, lógico.
— Eu queria saber se tu tá interessado em gravar a tua música. Eu cantaria ela…
— Opa, tô sim.
— Aquele “chamamé” é lindo.
— É a alma gaudéria né, Armando.
— Dilermando.
— Ah, sim. Dilermando.

Nesse momento eu comecei a ficar um pouco apavorado, pois o tal Dilermando tava nuns papos que acabaria me pedindo pra cantar um trecho da tal canção que eu supostamente fiz. Caso ele pedisse para cantar um trecho, eu teria de improvisar o “Chamamé do Tordilho Morto”.

— Mas me diz, Gabriel. Quanto tu me cobra por isso?
— Cobrar?
— É, pela música. Pra eu gravar ela.
— Ah, sim… cobrar…
— Pois é. Faz teu preço.

E ai o Tony Ramos do meu cérebro voltou a se manisfestar e eu tive de decidir entre a coisa certa e a coisa errada. Contar a verdade e esclarecer a situação, explicando o engano. Ou continuar mentindo e levar isso adiante. E, lógico, que eu fiz a coisa que honraria meu falecido pai.

— Tens papel aí, Dile?
— Tenho sim.
— Então anota o número da minha conta no banco…

E assim que começou a minha vida na música nativista.

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Este é o blog de Gabriel Von Doscht, um rico empresário que largou tudo para se dedicar ao seu verdadeiro dom: fazer pulseirinhas.

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