¿dequejeito?

O que tem no copo vermelho?

Postado em 24 de maio de 2006

Adentrando na nova onda do momento, viajei os milhares de quilometros que separam Carazinho da cidade de São Paulo, com o intuito de aparecer na Festa do Copo Vermelho e quem sabe, emplacar ali o meu novo livro chamado “Quem mexeu no meu blog?”.

Segundo a proposta da festa, seria a reunião das mentes mais influentes dos blogs brasileiros, bebendo e comendo de graça, falando sobre assuntos cativantes e divertidos e, lógico, todos fingindo saber o que havia dentro do tal copo vermelho. E claro que eu não perderia uma coisa dessas. Peguei meu caderninho de autógrafos e corri para lá.

Cheguei cedo ao local da festa. As luzes ainda nem tinham sido apagadas e algumas pessoas da organização organizavam (dã!) o lugar. Achei um cantinho aconchegante logo na entrada da festa, no lado de uma máquina de lavar-roupas, e decidi ali montar minha banquinha. Uma mesa, uma cadeira e uma pilha de livros. Pronto. Agora era somente esperar a festa começar e as pessoas chegarem para comprar meu livro e pedir autógrafos.
Não demorou muito e o primeiro futuro leitor veio até mim. Pensei naquele momento que ali começaria minha vida literária, até que enfim.

— Olá, amigão. Pra quem é a dedicatória? – perguntei
— Que dedicatória?
— Do livro, oras. – completei.
— Não, não. Não quero livro não.
— Mas…
— Só quero saber onde é o banheiro.

Ah, que pena. Ainda não foi naquele momento que vendi meu primeiro exemplar. Mas também não deixei aquilo me colocar pra baixo e curti a festa mesmo assim. Do lugar onde eu estava eu tinha uma boa visão de tudo. Podia ver todas as celebridades blogueiras que chegavam na festa e era tudo muito bonito. Teve até um momento que o mundialmente conhecido Inagaki chegou perto de mim e me olhou com estranheza.

Driblei a vergonha e iniciei o diálogo.

— Olá, Inagaki. Tudo bom?
— Tudo bom, cara. E você?
— Beleza. Um autógrafo?
— Opa, claro. – respondeu ele.

Eu não podia acreditar que o primeiro exemplar do meu livro seria adquirido pelo famoso Inagaki. Com certeza seria um grande empurrão nas vendas. Antes que eu pudesse pegar minha caneta para dar o autógrafo, Inagaki pegou um dos meu livros, tirou uma caneta do bolso e escreveu na primeira página: “Um abraço do Ina” e depois perguntou:

— Cê sabe me dizer onde é o banheiro?
— Hã? Mas…
— O banheiro.
— Ali – apontei – Naquela porta.

É, ainda não foi dessa vez que emplaquei meu best-seller. Mas pelo menos eu tinha conseguido um autógrafo do Inagaki e isso já valia a pena.

Então uma moça da organização veio até mim e disse que eu não podia ter uma banquinha de livros naquele local, pois a festa era única e exclusivamente do Copo Vermelho. Confesso que fiquei um pouco irritado naquele momento. Aonde já se viu tratar um escritor tão conceituado daquela maneira? Aposto que se fosse o Mr. Manson iriam deixar ele vender aquele livro dele que fala mal do Piauí.

Então, ali que eu notei que pra ser aceito no mundo blogueiro, você deve falar mal de alguma localidade no norte do país. Um livro como o meu, que fala de amor, paz, frutas, gelo, açúcar e whisky jamais venderia naquele local.

A conclusão que posso tirar de tudo isso é apenas uma.
Só existe uma dúvida, em todo universo, maior e superior do que “O que tem no copo vermelho?”. E essa dúvida é “Onde é o banheiro?“.

Peguei meus livros, bebi alguns litros do conteúdo dos copos vermelhos e voltei pro sul do mundo, com a destreza no olhar tão peculiar.

  • Comentários desativados em O que tem no copo vermelho?

Este é o blog de Gabriel Von Doscht, um rico empresário que largou tudo para se dedicar ao seu verdadeiro dom: fazer pulseirinhas.

Arquivos

Coisas do tempo em que o autor não sabia escrever.