¿dequejeito?

Minha carreira na dramaturgia infantil

Postado em 20 de julho de 2006

Muito tempo antes de trabalhar na Tv Cultura, eu já dava minhas pedaladas na dramaturgia infanto-infatil dos teatros escolares.

Quando eu tinha uns 6 anos a minha turma do pré-primário montou uma peça teatral intitulada “O Natal”, que contava a história de uma criança que nasce para salvar o mundo. Não lembro dos fatos da pré-produção com exata nitidez, por isso vou relatar nas próximas linhas, como eu imagino que tudo tenha acontecido.

A professora, que por nós era chamada de “Tia Lu”, distribuiu os papéis para a peça e, infelizmente, não ganhei o papel principal. Mas tudo bem. Naquela época minhas técnicas dramáticas ainda não estavam bem cultivadas e não poderia eu desempenhar o papel da criança salvadora com maestria. Por isso a professora achou melhor me dar o papel da ovelha.

— Como assim “ovelha”, professora? – perguntei.
— É sim, Gabizinho. Você vai ser uma ovelhinha.
— Mas o que uma ovelha faz?
— Ela fica parada atrás da manjedoura.
— Só?
— Só, isso. Fácil né.
— A senhora obviamente está brincando, tia Lu. Sou um ator mirim semi-profissional e não posso conceber a idéia de atuar como uma mera ovelha. Tenho muito mais a dar à dramaturgia nacional do que uma ovelha.

A professora se sensibilizou com o meu pedido e, dando-me um voto de confiança, me deu a chance de escolher o papel que eu quisesse. E eu sem nem pensar duas vezes escolhi um papel que não estava no roteiro, mas que iria conquistar todas as pessoas que assistissem a peça. E foi assim que eu fiz o papel de peixe.

moskito-peixe

A professora me disse que um peixe não tinha nada a ver com o natal. Mas bati o pé, contestei a direção dela perante a obra, e atuei como jamais um peixe atuará no natal.
Danke, Berlin, Danke.

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Este é o blog de Gabriel Von Doscht, um rico empresário que largou tudo para se dedicar ao seu verdadeiro dom: fazer pulseirinhas.

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