¿dequejeito?

Mas hein?

Postado em 28 de março de 2006

Eu tava lembrando que há alguns anos eu recebi um e-mail da produção de um programa de televisão. No e-mail eles explicavam que tinham um quadro de humor com vídeos da internet e queriam um dos meus vídeos para transmitirem ao vivo no programa. Sem pestanejar perguntei quanto eu levaria nisso, afinal podem até me chamar de mercenário, mas esse povo da TV é cheio da grana e tem verba pra ficar gastando em merdas aleatórias.

A produção me explicou que era um programa independente e que não tinham verba para esse tipo de material. Eu entendi e dei uma mão. Disse que eles podiam usar meu vídeo, mas deveriam creditar ele à mim. Tudo certo, televisão ligada e lá estou eu acompanhando o programa quando que anunciam meu vídeo. Então depois de passar o vídeo todo o apresentador fala: “Ta aí esse vídeo muito engraçado que o moskito nos enviou e pediu para que nós passassemos para ele.”

Bom, onde eu quero chegar é que, as vezes, você tenta ajudar as pessoas e elas se deitam nas tuas costas. E foi mais ou menos isso que aconteceu comigo nesses tempos. Pois comprei um teclado (daqueles musicais) e, em poucos dias, já havia aprendido a tocar alguns acordes. Eu achei que meu nível estava bom, pois conseguia tocar a música do “Carroagens de Fogo” sem errar nenhuma nota. Então resolvi convidar um amigo e sair em turnê municipal.

Meu amigo tocava pandeiro.
E lá fomos nós tocar a música do “Carroagens de Fogo” em todas escolas públicas da cidade. Nossas apresentações eram a sensação da época. Muita presença de palco, muita alegria e um pequeno toque de charme, misturado com amor.

Um belo dia fomos nos apresentar num escola de Ensino Médio e, como sempre, fizemos a nossa parte. Depois dos aplausos o pessoal começou a gritar “Mas um… Mais um…” e aquilo nos deixou nervosos, pois a gente só havia aprendido a tocar a música do “Carroagens de Fogo” uma vez. Esse negócio de repetir a música era demais para nós. Não tinhamos tanto talento assim.

— Mais um… Mais um…
— Calma pessoal. A gente tem de ir embora.
— Mais um… Mais um…
— Desculpa mas não podemos.
— Mais um… Mais um…

Visto que os alunos do colégio jamais parariam de pedir, eu e meu companheiro panderista conversamos brevemente e decidimos tentar tocar novamente a música do “Carroagens de Fogo”. Mas eis que quando eu fiz o primeiro acorde no teclado, o diretor da escola veio a me interromper, gritando lá do fundo:

— Ei, ei.. O que é isso?
— Mas hein? – disse eu.
— O que vocês acham que estão fazendo?
— Ué, senhor. Estamos tocando.
— Tocando porque?
— Porque sim. A gente toca. Música, oras.
— Isso eu sei, né. – disse o diretor da escola.
— Mas então?
— Quero saber o que vocês estão fazendo aqui.
— Ué. Estamos tocando para os alunos.
— Que alunos?
— Os alunos, porra. Da escola.
— Que escola?
— Essa aqui, cacete – perdi a paciência.
— Aqui não é escola não, meu amigo.
— Mas hein? – indagou meu companheiro panderista.
— Aqui é uma sorveteria.
— Sorveteria?
— Sim.
— Tem de creme?

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Este é o blog de Gabriel Von Doscht, um rico empresário que largou tudo para se dedicar ao seu verdadeiro dom: fazer pulseirinhas.

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