¿dequejeito?

Arranca!

Postado em 31 de maio de 2006

Ontem eu fiz o exame prático para obter licença de motorista, ou, resumindo, fiz o exame prático para obter licença de motorista.

Chegando ao local da prova, me juntei aos demais alunos e logo veio uma moça avisar que era para todos ficarem lá adiante na esquina, a fim de não enxergarem nada durante a prova dos outros, assim ninguém ficaria nervoso. Tudo bem, pensei eu, não importa o que os outros façam durante a prova não olharei. Eu só não gostaria de estar na pele do primeiro aluno chamado a fazer a prova, por que deve ser bastante dificil fazer o exame por primeiro, sem que ninguém ainda tenha feito.

— Gabriel… Quem é? – perguntou o examinador.
— Sou eu – respondi.
— Vamos lá. Você é o primeiro.

Bom – pensei – nem tudo está perdido.
Entrei no carro e fiz tal qual a minha professora ensinou. Coloquei o cinto, arrumei os espelhos, o banco, liguei o carro e me fui. Fiz o estacionamente, garagem e o Senhor Examinador entrou no carro e disse “Segue reto”. E nisso eu fui dirigindo pela cidade, enquanto que o examinador só me dava as cordenadas. Direita ali, esquerda aqui. Faz o estacionamento no aclive, dobra a direita naquela rua, etc, etc, etc…

Eu estava indo muito bem. Já confiante que iria passar no exame. Foi quando o examinador disse para parar numa vaga de uma rua meio estranha. Parei o carro, ele então me pediu para puxar o freio de mão, desligar o motor e aguardar. Então o examinador saiu do carro e entrou numa casa perto do local onde eu tinha estacionado.

Nunca havia feito uma prova dessas. Vai ver é normal o cara pedir pra parar e sair do carro. Mas que eu estava achando estranho, eu estava. Esperei no carro por exatos 20 minutos, quando que o examinador voltou a passos rápidos, entrou no carro respirando forte e gritou: ARRANCA!!!!

E nisso eu pisei fundo. Sem nem saber o que eu tava fazendo. O examinador foi me dando as dicas: Direita ali, esquerda aqui, dobra a direita naquela rua… Só que dessa vez eu não estava mais nos 40Km/h permitidos, mas sim correndo pra valer.

Não demorou para que atrás do carro da auto escola surgissem três outros carros, com marinais variados segurando porretes, facas e gritando coisas que eu não tava conseguindo entender, mas deviam ser bem pesadas.

— Direita na próxima!
— Senhor Examinador. A próxima é contra-mão.
— Foda-se. Vai.

E nessas eu fui.
Com o carro batendo em murros e desviando de pedestres, atropelndo lixeiras e mendigos, enquanto que o meu examinador colocou o corpo pra fora da janela do carro e sacou uma arma. Então atirou no pneu de um dos carros dos marginais, que capotou umas três vezes e bloqueou todo o trânsito.

Assim conseguimos escapar sem maiores danos, a não ser no carro, que ficou um pouco destruído devido à perseguição.

Chegando novamente no local do ínicio da prova, notei que os demais colegas de teste estavam olhando estupefactos para o carro em que eu estava. Coisa errada, pois todos haviam sido aconselhados a não olhar pro teste dos outros, para não ficarem nervosos.

Bom, estacionei o carro e puxei o freio de mão.
O examinador saiu com a sua pranchetinha (um pouco suja de sangue, devido a uma cabeçada no painel do carro numa freiada mais brusca que eu dei), pegou uma caneta, escreveu alguma coisa e disse:

— Gabriel, você perdeu um ponto.
— Mas…
— Porque estacionou longe demais da calçada, aqui ó.
— Hum.. é mesmo.
— Bom, mas passou. Tá aprovado.
— Obrigado, senhor.

E depois disso cancelaram todos os demais exames do dia.
Não sei por que.
Então, se existe alguma moral nessa história, ou pelo menos uma lição de vida a ser tirada de tudo isso que aconteceu, essa lição é: Aprenda a fazer o emprego dos “porques” e terás a gramática ao seu lado, sempre.

Este é o blog de Gabriel Von Doscht, um rico empresário que largou tudo para se dedicar ao seu verdadeiro dom: fazer pulseirinhas.

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