¿dequejeito?

A viagem – Parte 2 de 5

Postado em 16 de agosto de 2006

Há alguns meses eu e minha companheira Cintia viajamos para São Paulo a bordo de um Foker 100 da Ocean Air Lines. Era a primeira vez de ambos em um avião e estavamos afoitos com todo o clima aéreo da coisa.

A fim de aproveitar o máximo o dinheiro que vale uma passagem que, inclusive, eu não paguei, resolvi desfrutar de todas as comodidades que um passageiro pode ter. Tirei foto, reclinei o banco, li jornal, tomei suquinho, comi salgados variados, fui no banheiro, pedi ajuda pra aeromoça, fiz três séries de polichinelos, e… Bem, fiz quase tudo que pode ser feito dentro de um avião, exceto uma coisa: visitar a cabine do piloto.

— Por que você não pede pra ir ver, então?
— Mas será que vão deixar? – perguntei.
— Ué! tenta. – disse minha namorada.
— Não sei, acho que não.
— Aeromoça. Por favor. – gritou minha namorada.
— O que tu tá fazendo, porra? – indaguei.
— Tu vai na maldita cabine.
— Mas…

A aeromoça chegou até nossa poltrona e a Cintia pediu-lhe para me levar até a cabine do piloto. Para ajudar na persuasão ela aplicou na aeromoça que era meu aninversário e eu sonhava ser piloto, mas por uma disfunção no cérebro eu não poderia jamais comandar um vôo. A aeromoça se sensibilizou com a triste história inventada pela Cintia e resolveu me levar até a cabine.

Chegando lá o piloto e os seus ajudantes me cumprimetaram e me desejaram felicidades no dia do meu aniversário. Eu agradeci a oportunidade e tirei algumas dúvidas sobre aviões, tipo “Por que eles voam?”.

— E aquele botão ali, pra que serve? – perguntei.
— Qual botão?
— Esse aí no painel, no canto direito.
— Qual?
— Esse amarelo com uma luz vermelha em cima.
— Botão amarelo? – titubiou o piloto.
— O botão amarelo no painel.
— Que painel?
— Esse painel. Da cabine desse maldito avião.
— Avião?
— É, porra. Avião. – disse eu já gritando e descontrolado.
— Onde tem avião? – perguntou o piloto, olhando pro céu.
— Aqui, cacete. Aqui. – revoltado, gritei.
— Mas aqui é uma sorveteria.
— Sorveteria? – perguntei.
— Sim, sorveteria. Vendemos sorvetes.
— Hmm… Tem de creme?

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Este é o blog de Gabriel Von Doscht, um rico empresário que largou tudo para se dedicar ao seu verdadeiro dom: fazer pulseirinhas.

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