Dequejeito » 2006 » maio

¿dequejeito?

The long long long file

Postado em 14 de maio de 2006

A simples tarefa de devolver um livro na biblioteca da faculdade é um ato muito curioso. Na fila de devolução, geralmente formada por umas 73 pessoas, você vê de tudo. Tem neguinho dando em cima das minazinhas, tem os fura filas, os reclamões bravos com a lentidão da coisa toda e os nervosos que ficam batendo o pé ou fazendo algum movimento repetitivo enquanto todos os outros notam.

Estava eu em uma dessas intermináveis filas demoniacas para devolver um livro chamado “Las Plantas Alucinógenas“. Já estava impaciente há quase 20 minutos parado de pé, enquanto que lá na frente uma tiazinha reclamava da taxa de multa por atraso que estavam cobrando dela.

Neste momento recebo um tapinha no ombro, me viro com o meu já conhecido simpático sorriso “não fode” e olho para trás. Era um tiozão, já com seus quarenta e poucos anos, segurando mais ou menos uns 7 livros variados. Como ele havia dado aquele tapinha? pensei.

— Oi? – disse eu, sem querer ouvir a resposta
— Olá, meu jovem.
— Eu te conheço?
— Não, creio que não me conhece.
— Eu devia te conhecer?
— Não, creio que não.
— Você me conhece?
— Não.
— Deveria?
— Não

Nos olhamos, analisamos a situação. Depois de 30 segundos de total silêncio ele resolveu quebrar o clima de “eu não entendi você” que pairava no ar e continuou a falar:

— Sabe – disse o tiozão.
— O que?
— Sua coluna – apontando em direção da minha bunda.
— O que tem minha coluna?
— Eu tava notando que ela está bem torta.
— Torta?
— É. Curvada, diria eu.
— Eu tenho lordose, mas…
— Imaginei.

Eu hein, que cara estranho que chegou. Até parece não achar lugar no corpo em que Deus lhe encarnou. Resolvi virar para frente afim de acompanhar com os olhos à tia lá da frente ainda discutindo com a atendente da biblioteca. Quando sou, novamente, interrompido com um tapinha no ombro. Tentei me virar rápido desta vez, para ver se conseguia descobrir como ele estava dando tapinhas em mim sendo que carregava 7 livros em suas mãos. Sem sucesso.

— Sim? – perguntei.
— Eu estava notando que…
— Minha coluna?
— Sim.
— O que tem?
— Lordose, não?
— Sim.
— Eu queria saber se…
— O que?
— Se eu poderia ver.
— Ver o que, porra?
— Sua coluna
— Como assim?
— Queria ver como é a lordose.
— Hein?
— É que eu acho que eu também tenho…
— E?
— Então queria alguém para comparar.
— Mas..
— Só dar uma erguidinha aí na camiseta que eu vejo.

Relutei, pensei que podia se tratar de algum tarado ou gay comedor de criancinhas, mas então cheguei a conclusão de que seria uma boa história para contar pros meus filhos num futuro próximo e, então, ergui um pouco minha camiseta, mostrando minha coluna torta.

— Hum…
— Viu?
— Sim, interessante.
— O que foi?
— É diferente da minha coluna.
— É? – questionei.
— Você poderia ver minhas costas e dizer se é lordose?
— Hein?
— É, só uma olhadinha rápida.

Novamente pensei na satisfação de meus dois filhos ao ouvir esta história no futuro. Uma cena linda se formou em minha mente: tapete fofinho, chimarrão e duas crianças brincando de Resta Um enquanto eu, empolgado, conto pela quadragésima vez a história sobre o dia em que o tiozão viu minha lordose. Meus pensamentos familiares foram interrompidos pelo tal tiozão.

— Por favor. Eu preciso tirar essa dúvida.
— Tá bom. Mostra ela aí.
— Não posso.
— Porra. Por que?
— Os livros.
— Ah sim. Quer que eu segure eles?
— Não. faz assim. Você levanta minha camisa e olha.
— Ok.

Levantei a camiseta do tiozão até a metade das costas e dei uma breve e clínica olhadela analítica. As pessoas que estavam na fila já estavam notando todo aquele “homo appeal” no recinto, mas fingiram ignorar.

— Viu? – perguntou o tiozão.
— Sim.
— É lordose?
— É não, senhor.
— Ué, então é o que?
— Não sei, não vejo nada de errado.
— Nossa! Nadica?
— Nadica de nada.
— Nada mesmo?
— Nada.
— Nossa. Que bom. Obrigado.
— De nada.
— Agora vou indo. Já estou atrasado.
— Ok, até mais então.

E lá se foi o tio com seus 7 livros em direção à saída da biblioteca. A mulher lá na frente ainda estava brigando com a atendente. Abri o livro na página 64 e li mais uma vez o capítulo 8: “Como fabricar um chá alucinógeno caseiro usando apenas água, erva mate e orégano”.

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Pérolas da TV

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A Páscoa chegou, passou e se foi e eu nem falei nada. Bom, espero que todos tenham passado uma feliz páscoa e torço para que os coelhinhos malditos do Guaraná Dolly tenham invadido as sua casa e matado toda a sua família.

Nhé, mas de boa. Que tipo de ser humano é tão cruel assim a ponto de maquiar as crianças deste jeito? Quando eu era pequeno tinha páscoa na escola e todos se pintavam de coelhinhos. E em toda história da Páscoa eu nunca vi coelhinhos tão apavorantes quanto os coelhinhos da Dolly.

E pensar que existe um curso superior que ensina a fazer essas merdas. Porque, pior que os coelhinhos da Dolly, só o dançarino de break do comercial dos Sucos Trink.
Lamentável.

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As férias

Postado em 12 de maio de 2006

Com alguns devem ter notado, nosso novo layout é uma homenagem á nova abertura da Malhação que, apesar de ser meio cópia dos anúncios do canal Sony, é legal pra cacete. A foto ali, com o Papai Noel, ainda é versão beta. Pretendo fazer uma foto profissa bem ao estilo da Malhação, ou seja, usando roupas maneiras e fazendo o sinal de “hang loser” com a mão. Tchalibrau, mano.

Eu até tentei fazer tudo em Tableless, que aprendi com o abossal, mas não consegui porque sou ainda um pouco cabaço. Então temos um novo ¿DEQUEJEITO? – metade tableless. Apesar disso, o layout tá muito mais leve do que antigamente e esse fundo é do caralho, eu pintaria minha casa com esse padrão circense.

Tableless é um método de estruturação da página sem o uso de tabelas. Tudo fica mais leve e todo mundo pode ler, em qualquer browser, em qualquer dispositivo (celular, PDA e o escambau – pelo menos na teoria). Até cegos podem ler meu blog agora, com ajuda dos leitores de texto.

Logo mais eu pego o ritmo e começo a escrever pra valer.
Por enquanto vou falar sobre as atualizações das coisas da vida.
Até mais.

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Abril

Postado em 11 de maio de 2006

Abril é sempre igual e, é por isso que eu sempre tiro féras em abril. Eu já perdi namorada, perdi cachorro, entrei em depressão, quebrei perna… Esse último não podia ser diferente. O abril de 2006 conseguiu ser malvado comigo.

Lá pelo dia 10 de abril meu pai sentiu uma falta de ar e foi até o posto de saúde aqui do bairro. De lá encaminharam ele para o Hospital de Caridade de Carazinho. Ele ficou lá por um tempo, uns dias, contando piadas e fazendo amizades com todo mundo, como é típico dele.

Os pulmões dele tavam acabadões, por causa do cigarro. Depois de alguns exames, constataram que meu pai tinha um enfisema pulmonar e precisava drenar líquido dos pulmões. Então os médicos resolveram drenar a parada. Só que meu pai, enquanto era drenado, sofreu duas paradas cardiacas e os médicos tiveram que induzir ele ao coma. Ele permaneceu em coma por três dias e no dia 23 de abril ele não aguentou e morreu devido à uma falência de múltiplos orgãos.

E foi por isso que eu demorei um pouco pra voltar.
Enfim, fumem.

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Este é o blog de Gabriel Von Doscht, um rico empresário que largou tudo para se dedicar ao seu verdadeiro dom: fazer pulseirinhas.