¿dequejeito?

XV3st. A bolha

Postado em 28 de abril de 2005

Meus pais sa?ram e me mandaram arrumar a casa, j? que a empregada havia faltado. Me diverti tanto varrendo, esfregando e secando que nem vi a hora passar. At? que uma coisa estranha aconteceu.

Estava lavando lou?a quando a pia entupiu. Peguei o desentupidor e comecei a apertar, pelejando com a pia, mas n?o adiantava. Em vez disso, o maldito ficou preso — preso n?o, fundido. N?o tive outra op??o a n?o ser subir na pia e ficar puxando. A ?gua come?ou a descer, mas o desentupidor n?o sa?a por nada. Quando a ?gua toda desceu, a pia come?ou a tremer, emitindo um som de regurgita??o que ficava cada vez mais intenso. “Isso vai explodir”, pensei. Pulei para tr?s da mesa; uma barricada improvisada; e fiquei na expectativa do pior — mas nunca do que realmente aconteceu em seguida.

A pia expeliu uma massa disforme de energia, um espectro pulsante, de colora??o azul-perolada. A coisa emitia um brilho intenso e flutuava no ar, como se este lhe fosse de direito. Tal era a rapidez com que se deslocava no ambiente que sua forma, insossa e ao mesmo tempo concentrada, lembrava a de um cometa. Parecia estar procurando por algo. Eu sentia medo e admira??o com t?o inesperado espet?culo, talvez por isso estivesse paralisado. Parecendo ent?o notar minha presen?a, o corpo de energia parou na minha frente. Agora realmente assustado, exclamei:

– Adedaaaanha!

Mostrei uma m?o espalmada e na outra 3 dedos. Do espectro sa?ram 5 coisas finas que encarei como dedos e contei tamb?m. Deu M. M?naco, Mercedes-Benz, Malu Mader, etc. Jogamos v?rias partidas e ele ganhou todas — pudera, lendo meus pensamentos. Depois disso come?amos a conversar. Apelidei-o de bolha.

– Diz a? bolha, tu ? o qu??
– Uma forma de vida que voc? n?o entenderia.

O bolha tinha uma voz horr?vel. E queria dar uma de esperto pra cima de mim.

– N?o sou preconceituoso, pode ficar tranquilo. Voc? ? um fantasma?
– Pode-se dizer que sim.
– Eu n?o acredito em fantasmas. Tem que haver uma explica??o cient?fica pra voc?.
– E tem. Eu sou o quarto estado da mat?ria.
– Nossa, deixa de ser burro. O quarto estado da mat?ria ? o plasma. O fogo, por exemplo.
– ? isso mesmo. Fisicamente sou como o fogo, mas tenho vida.
– S?rio?

Pedi licen?a e voltei com um balde cheio d’?gua. Apaguei o bolha. Depois de um “tchhh”, e que a fumaceira se dissipou, fui secar o ch?o e achei um cora??ozinho de metal. Nele estava escrito “Made in Taiwan”. Resolvi guardar pra descobrir como se usa. Talvez seja s? atear fogo, mas vou esperar a hora certa pra tentar.

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Este é o blog de Gabriel Von Doscht, um rico empresário que largou tudo para se dedicar ao seu verdadeiro dom: fazer pulseirinhas.

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