¿dequejeito?

Os Wilsos – O Show

Postado em 1 de novembro de 2005

Fazer show sempre é muito lindo.
Você chega no local e vai direto pro camarim EXCLUSIVO para bandas e quando pensa que vai ser o primeiro a chegar vê que o camarim já está lotado de gente que você não conhece e essa gente está tomando cerveja do freezer do camarim. Cerveja esta que deveria ser da banda.

“Tudo bem” eu pensei. O que que custa ser camarada e dividir a ceva com a galera que você jamais viu? Arrumamos as coisas, guardei minhas tralhas. Dei uma passeada pela festa que ocorria antes do show e vi alguns conhecidos por lá. O lugar estva até que lotado. Umas trezentas pessoas, sei lá.

Voltei pro camarim, que nessa altura estava mais que lotado de desconhecidos e chamei a banda. Reuni a rapazeada e disse que estava na hora do bagulho acontecer, mas antes eu queria dizer algumas palavras de incentivo e tranquilidade pros caras:

“Bom, pessoal. Dei uma olhada e na frente do palco tá toda a nata de músicos da região. Só tem gente de banda na platéia então fiquem muito nervosos e não errem, porque se alguém errar no palco os caras da platéia vão notar, vão apontar e vão rir das suas caras.”

Depois disso a banda estava mais confiante que nunca e subimos ao palco.

Eram 01:30 da madrugada do dia 29 quando abrimos o show com a canção Mute City, a música tema da primeira pista do F-Zero, aquele antigo e sensacional jogo do Super Nintendo. As pessoas ficaram sem entender o sentido da coisa.

Então tive que avisar o público que gente era diferente e não tocava músicas conhecidas. A platéia fez um silêncio, como que pensava nas minhas palavras. Lá do meio um cara cabeludo gritou:

— Vocês são indies?
— Bem.. de certo modo… – tentei explicar.

Um fuxico tomou conta do local e algumas pessoas ameaçaram ir embora. Então tive que pensar rápido e improvisar:

— Mas a gente trouxe algodão-doce pra atirar pra vocês.
— Vocês vão atirar eles antes ou depois do show? – perguntou uma menina da platéia.
— Depois – respondi eu.

Então o fuxico recomeçou e o pessoal começou a ir embora. Tive que improvisar novamente e gritei no microfone:

— Durante. A gente vai atirar algodão doce durante o show.

Então todo mundo ficou lá e a gente continuou a tocar. Um repertório bonito. Seriam 12 canções se não fosse os retornos darem pau e começar a sair fumaça de um alto falante. Então terminamos o show com 7 músicas apenas. Uma apresentação rápida e feliz. O povo pareceu gostar. Não sei se foi por causa dos 30 algodões-doce que jogamos pra eles ou porque tocamos bem naquela noite. Prefiro pensar na segunda hipótese.

Se bem que logo que saimos do palco, um cara veio nos agradecer: “Bah, galera. Peguei duas minas graças ao algodão-doce que vocês atiraram. Obrigado” – dizia ele, eufórico e fazendo o famoso sinal de Hang Loser.

O set list do show foi:

00. F-Zero – Mute City
01. Olivia Palito – Lexotan
02. Fine Young Cannibals – She Drives Me Crazy
03. Os Wilsos – João
04. Cascavelletes – Menstruada
05. Os Wilsos – Estou Amando Armando
06. Os Wilsos – Eu sou Surdo
07. Replicantes – Sandina

Voltando ao camarim, notei que além da cerveja outra coisa havia sumido. Sim, era meu celular novo, com apenas duas parcelas pagas, e sessenta reais da minha carteira. Então eu tinha duas opções: 1) Chorar feito um viado ou 2) Ir atrás dos ladrões.

Mas isso eu conto amanhã.
Essa história continua.

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Este é o blog de Gabriel Von Doscht, um rico empresário que largou tudo para se dedicar ao seu verdadeiro dom: fazer pulseirinhas.

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