¿dequejeito?

Faculdade – Onde os pintos criam asas

Postado em 25 de novembro de 2005

É chegada a hora de dar adeus a faculdade. Aquele lugar que eu dediquei 5 anos da minha vida, pagando um total de quase 50.000 reais pra aprender menos do que se eu pagasse 800 reais pro SENAC e ficasse num curso técnico de apenas 3 meses de duração.

Mas nem tudo é desgraça. A faculdade é o lugar onde você cria as principais amizades da sua vida. Onde você deixa de pensar em merda e começa a ver que fazer greves e protestos são coisas boas e que tocar o alarme de incêndio fazendo com que a faculdade toda entre em pânico é uma coisa deveras engraçada. A faculdade é o lugar onde os pintos criam asas.

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Quando eu era menor sempre assistia os filmes em que o camarada ia pra faculdade e comia todo mundo. Pois a faculdade é o lugar onde somente dois tipos de pessoas entram.

O tipo número 1: Pobres desgraçados com crédito educativo que quase morrem pra conseguir terminar a faculdade.

O tipo número 2: Prostitutas que estão na faculdade por que arranjaram um velho rico pra bancar as despesas. E o velho achou que seria um boa idéia se ela fosse fazer um curso superior.

E é exatamente este tipo número dois que paga com sexo pelos trabalhos acadêmicos. E aí que está o grande segredo da frase: “Na faculdade você comerá todo mundo”. Basta ter as manhas e vender seu peixe.

Só que ninguém me avisou que as putas daqui são fiéis aos donos.
E eu não comi absolutamente niguém em todo o meu período acadêmico. E isso que me faz pensar na utilidade de uma faculdade. Pra que a gente gasta tanta grana estudando se isso não te consegue nem uma trepada?

Bom, mas aí que terça eu tava tirando as fotos para colocar no quadrinho da formatura e tal. E tinha que vestir aquelas roupas estranhas e estar penteado e tudo mais. Tinha até uma mulher que fazia maquiagem. Sentei na cadeirinha da mulher e disse: “Pode desbastar nos lados e tirar o volume atrás”.

Eu acho que ela não entendeu que aquilo era uma piada e resolveu se vingar me atochando a cara de base. Meu, eu parecia o Michael Jackson, pois além de não comer ninguém nem com um tribunal tentando provar isso, eu ainda estava com o rosto todo perfeitamente esticado. Sem nenhuma mancha na pele, sem espinhas e cravos, sem rugas, sem pele praticamente. Tudo era uma espessa camada de base cor bege. Mal falar eu conseguia.

— Cara, você tá legal? – perguntou meu colega.
— Ionioniouié – respondi.
— Tá cantando aquela dos Beatles?
— Oá?

Pior é que nem com água a coisa desgrudava da minha pele. Ao chegar em casa a minha mãe nem me reconheceu. Pensou ser algum ladrão com uma máscara de borracha. Só consegui entrar em casa depois de ter falado exatamente que roupa eu to usando no retrato meu que ela tem no quarto.

gauchim

Hoje é sexta e a porra da maquiagem ainda não saiu. Começo a temer pelo pior. Se não bastasse não ter comido ninguém na faculdade inteira, eles querem me vetar de comer alguém na minha vida inteira.

Aí eu entendo o drama do Jackson. Vou partir pras criancinhas.
Já to parecendo um boneco de plástico mesmo.
Vou agradar.

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Este é o blog de Gabriel Von Doscht, um rico empresário que largou tudo para se dedicar ao seu verdadeiro dom: fazer pulseirinhas.

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