¿dequejeito?

Esse raio-x não oferece dano nenhum?

Postado em 17 de outubro de 2005

E lá me fui pro segundo dia de tratamento de canal. Agora com um dentista novo, especialista em canal. Já chegando tive a primeira surpresa: A recepcionista era uma menina baixinha, gordinha e bem humorada, exatamente como a recepcionista do Dr. Daniel (o outro dentista). A segunda surpresa é que o meu novo dentista além de ter uma voz doce e suave também é mulher. Sabe, um dentista fêmea.

Com todos os medos do mundo fui sentando na cadeira e ela abaixou, abaixou e abaixou a mesma. Me deixando quase que de ponta-cabeça no consultório. O sangue começou a ir pro meu cérebro e eu comecei a pensar mais e, ao mesmo tempo que a Dra. Ingrid olhava, brocava e batia no meu dente, conversava com a assistente recepcionista sobre baterias de celular.

E como todos sabem, eu manjo de baterias de celular.

— Doutora. As baterias de Lítio duram mais.
— Pois é, Daniel. Mas essa da motorola não aguenta um dia.
— A motorola tem baterias fracas.
— É?
— Mas eles estão testando uma nova tecnologia.
— É?
— Baterias a base de gel. Não poluem o ar e…

Então a doutora me surpreendeu. Pegou uma injeção maior do que a do Dr. Daniel e tascou-lhe TRÊS anestesias (eu disse 3) de uma só vez, em lugares diferentes da minha boca. Ali que eu senti o que quer dizer “dor aguda”. O bagulho doeu tanto que eu cheguei a gritar e até agora tá doendo.

Depois da agulhada fulminante a doutora veio-me com uma conversa mole que não me convenceu nenhum pouco.

— Daniel, vou tirar um…
— Ahiel. (Gabriel)
— Ah. Gabriel. Vou fazer um raio-x.
— U-hu em. (tudo bem)

A Dra. Ingrid meteu um bagulho estranho na minha boca e pediu pra eu morder. Então mirou uma espécie de canhão na minha bochecha. Eu fui ficando apavorado e a doutora tentou me acalmar:

— Não se preocupa que esse raio-x não oferece dano nenhum.
— Ahhhh. (ahhhh)

Então ela e a assistente simplesmente sairam do consultório e foram pra dentro de uma salinha com porta de metal. Acho que era tipo um abrigo nuclear. E isso me deixou mais nervoso.

Depois disso um apito rolou e a luz piscou, tipo em filme quando vão eletrocutar um presidiário e a luz pisca. Eu fechei o olho pois estava com medo de ficar cego com o tal raio-x. Mas nada demais aconteceu.
Ela demorou mais um pouco e voltou dizendo que eu teria de comparecer a duas ou três sessões de canal, pois o molar tem três raizes e blablabla mimimimimi.

Depois disso eu comecei a ficar tonto. Acho que foi o efeito do tal raio-x somado à anestesia tripla. Tudo que me lembro é da doutora mexendo na minha boca com um bagulho de borracha, com equipamentos que faziam barulhos estranhos e conversando com a assistente sobre contas à pagar, lojas que vendem abajures e de um tal de Andy Garcia, que eu não sei quem é.

A Dra. Ingrid agendou o próximo massacre pra sexta-feira de manhã e quando eu tava saindo do consultório me avisou: “Não come nada nas próximas 5 horas, Daniel. Que é pro curativo secar”.

Tudo bem. Eu nem to morrendo de fome. ¬¬
Agora eu cheguei em casa, cambaleando, todo avacalhado. E pra alegria de vocês, leitores, lá vai outra cancioneta dos Beatles executada por mim, o grande cantor anestesiado.

moskito com a boca anestesiada
e o cérebro afetado pelo Raio X canta All My Loving

(700 kb – Arquivo .mp3)

E putaqueopariu, que fome do caralho.

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Este é o blog de Gabriel Von Doscht, um rico empresário que largou tudo para se dedicar ao seu verdadeiro dom: fazer pulseirinhas.

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