¿dequejeito?

Carnaval Proibidão 2005

Postado em 15 de fevereiro de 2005

Depois de 4 anos longe da grande mídia nacional, alguém da Cultura lembrou de mim e me convidou para cobrir o Carnaval carioca, como uma espécie de reporter decadente enviado à Sapucaí. E lá fui eu viajar 26 horas para ganhar uma graninha fácil na TV.

Bom, chegando no Rio de Janeiro, o diretor da equipe de filmagem (o qual não lembro o nome) veio me saudar e contar as novidades.

— Gabriel, sabe como é a Cultura né…
— Vish. O que aconteceu?
— Seguinte Gabriel, tem uma notícia boa e outra ruim.
— Bah, manda a ruim.
— Bom, a Cultura chegou atrasada e não conseguiu credenciais para cobrir o carnaval com repórteres.
— Caralho. E a boa?
— A boa é que conseguimos infiltrar você e a equipe de filmagem dentro de um carro alegórico da Mangueira. E você vai poder cobrir o carnaval de lá.
— Tá, e a notícia boa?

Me colocar dentro de um carro alegórico para fazer uma matéria não havia sido uma boa idéia. Então ameacei abandonar o trabalho. O diretor ficou com medo de não ter cobertura do Carnaval (acho que não tinha nenhum outro artista decadente pra fazer isso) e me fez outra proposta.

— Gabriel!
— Nem fodendo que eu entro nessa fria, cara.
— E se eu te der minha credencial pro camarote da Brahma?
— Opa. Em que carro que eu desfilo?

E lá fui eu, que odeio carnaval, cobrir o evento de dentro de um carro alegórico da Mangueira.

O Desfile
Me colocaram num canto totalmente camuflado de um carro alegórico cheio de neons e frufrus futuristas. Era o ínicio do desfile da Mangueira. Logo que o carro entrou na avenida, um malandro com cara malvada começou a gritar muito enfurecido para os destaques:

“DANCEM FELASDAPUTA! MEXAM ESSAS BUNDAS, PO-ORRA!
CADÊ O SORRISO, CACETE?”

E todo mundo fazia o que ele mandava. Minha sorte não estar lá como escravo folião, mas sim repórter.

Já que de dentro de uma alegoria eu jamais conseguiria fazer uma cobertura de carnaval, concentrei-me para fazer um bom trabalho no pós-desfile, no local onde todas as estrelas se pegam e tudo é de graça.

O Camarote da Brahma
É foda ser uma pessoa desconhecida no camarote da Brahma. Lá os famosos te olham de um jeito muito feio, como se fosse obrigação todos serem celebridades. Me senti tão ameaçado de morte quanto um homem branco na Zona Leste de São Paulo. Mas ignorei os olhares fulminantes e circulei entre os artistas como se eu fosse um famoso apresentador de programa teen de TV. Coisa que já não sou há uns 5 anos.

Não demorou muito eu já estava totalmente enturmado com as estrelas

— Oi
— Olá
— Você é… ?
— Gabriel Von Doscht, freela da Cultura.
— Oi, eu sou a Xxxxxxx Xxxxx, da Globo.
— Porra, que legal. Eu assisti aquela novela que…

Eu e a atriz global ficamos mais de 3 minutos numa conversa muitíssima interessante sobre a televisão brasileira, música MPB e imagens sagradas do catolicismo.

— Tá, mas isso não interessa.
— Ah, desculpa. – disse eu envergonhado.
— É que eu não sou católica.
— Nem eu. Que coincidência.
— Não acredito em coincidências.
— Porra, eu também não acredito.
— Que coincidência.

Piadinhas estilo “Fernanda Young” a parte, consegui minhas entrevistas e de quebra ainda mordi a atriz global. Coisa fina. Se der sorte ainda saio numa foto de pegação com ela na Revista Caras ou Contigo.

O pós-operatório
Acordei no quarto de hotel onde a equipe inteira da Cultura estava. No meu lado, roncando num sofá estava o senhor Francisco Everardo da Silva, que acabou bebendo demais no camarote da Brahma, na noite anterior, e foi dormir conosco em nosso quarto.

Era praticamente um sonho de verão realizado: Camarote da Brahma, pegação com atriz da Globo, acordar ao lado do Tiririca. E tudo isso na mesma noite. E pra fechar com chave de ouro ainda intermediei um contrato pro Tiririca ir até Carazinho – RS, para apresentar o sorteio da Mega-Sena, que iria acontecer na cidade.

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Este é o blog de Gabriel Von Doscht, um rico empresário que largou tudo para se dedicar ao seu verdadeiro dom: fazer pulseirinhas.

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