¿dequejeito?

Ah, vai dizer que tu não fuma?

Postado em 16 de março de 2005

Como todos sabem, fui para o Rio de Janeiro para fazer um curso de especialização audiovisual. Então todo o santo dia eu ia para a UniRio para ter aulinhas meia boca com professores mediocres.

Primeiro dia de aula. Aquele solão desgraçado, calouros por todos os lados e o Bondinho passando ali no lado da faculdade. Uma visão do inferno. E eu lá, mochilão e fones no ouvido, só querendo achar a minha maldita sala e ter minha bendita aula.

Obs: Acabei de notar que as palavras “maldita” e “bendita” são uniões de outras palavras: Bem-dita e Mal-dita. Que legal, que legal…

Mas continuando.
Lá estava eu, caminhando rumo ao nada, pois não sabia onde que seria a minha mal dita (ahrá! massa) aula de Diálogos Reduzidos para Roteiro de Televisão I. Quando de repente, do nada, me aparece um maluco, claramente era um calouro, acompanhado de duas meninas com camisetas de bandas de reggae.

— Ae, companheiro. Chegaí um minuto.
— Eu? – perguntei apontando pro meu próprio peito.
— Sim, você mermo.
— Sim?
— Tu, por acaso, não tem um pouco pra vender?
— Oi?
— Porra, malandro. Maconha.
— Como?
— Cê não tem maconha pra vender?
— Eu não, cara.
— Sabe quem tem?
— Bah, nem sei.

— O cara não fuma – Disse uma das meninas.
— Aha. Duvido. Tem a maior cara de maconheiro.
— Ele disse que não fuma, pô.
— Eu sei reconhecer um maconheiro, caraca.

Fiquei ali parado, enquanto os calouros discutiam se eu tinha ou não cara de maconheiro. Quando o diálogo começou a se tornar uma briga, interrompi a discussão dos três:

— Galerinha, posso ir pra minha aula?
— Ah. pode sim. Valeo aí, caretão.

E lá fui eu, a passos largos mas com os ouvidos atentos na discussão. Depois de cruzar o bosque que se localiza no centro da faculdade, olhei para trás e lá ao fundo avistei os três jovens maconheiros ainda falando alto e gesticulando.

Uma das meninas gritava com as mãos pro alto: “Não fuma, porra!”. Enquanto o cara, com a mão na testa, berrava aos ventos: “Ele tinha cara de maconheiro, caralho. To falando”. E foi nesse dia que eu parei de usar drogas.

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Este é o blog de Gabriel Von Doscht, um rico empresário que largou tudo para se dedicar ao seu verdadeiro dom: fazer pulseirinhas.

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