¿dequejeito?

A primeira consulta

Postado em 13 de outubro de 2005

Lá me fui ao consultório do Dr. Daniel.
A minha mãe que me recomendou. Disse-me que é um dentista muito camarada e atencioso. Eu pensei que se for pra sofrer que eu sofra com alguém que entenda minhas piadas.

— Olá, doutor. é a minha primeira vez.
— É?
— Seja carinhoso.
— Ahh. Você tá falando do tratamento de canal?
— Sim, senhor.
— Ah bom. Pensei que iria querer que eu abaixasse a luz.
— Quem sabe depois.

E nesse clima que começou o meu atendimento. O Dr. Daniel me explicou que iria abrir meu dente e jogar um remédio dentro e depois fechar. Esse remédio mataria o resto de vida do meu dente, para que depois, ele me encaminhe para outro dentista para começar o tratamento do canal em si.

Dadas as explicações, o Dr. Daniel (que nem tem doutorado, mas eu não sei como chamar pessoas que pratricam essas atividades e não sou doutores) aplicou-me uma anestesia. Coisa fina, barbada, sem dor alguma. Até ri no momento pois pensei que doiria bem mais. Então ele pegou uma broca (dzzzz…) e começou a vasculhar meu dente.

— Se doer você me avisa. Tá bom, gabriel?
— Uim Inhô. – disse eu com a boca aberta.

(….)

— OEUUU
— Doeu?
— Ahãaa.
— Então vou dar outra anestesia.

Eu pensei: “vai ser barbada”.
Mas de repente o safado puxa de sua mesinha uma injeção do tamanho de consolo, com a maior agulha que eu já vi na vida.

— Vai doer um pouquinho. – me avisa o doutor.
— Evagar o-or. – supliquei eu.
— Vou por só a pontinha.

Uma dor terrível tomou conta da minha boca. Parecia que tavam injetando gasolina dentro do meu saco (só que imagine isso dentro da minha boca) e eu, de olhos fechados, gemia.

Depois disso não senti mais nada. E mesmo assim ele ainda me deu outra anestesia (a terceira). Então o Dr. daniel pegou um equipamento estranho e começou a fazer o movimentode vai-e-vem no meu dente. Mais ou menos como mostra a figura 1.0:


Figura 1.0 – Coisa linda de meu Deus

Nessa altura eu não sentia mais nada, mas mesmo assim o doutor ficava me perguntando de tempo em tempo “Tudo bem?”, “Tá doendo?” ou ainda “Se quiser eu tiro”. Que isso? Tirar agora que tá ficando bom? Nem fodendo. Se eu tivesse um pouco mais de coragem iria pedir pra ele abaixar a luz e colocar uma musiquinha.

E assim terminei o primeiro dia de tratamento. Acabei de chegar em casa e minha boca tá totalmente anestesiada. Não sinto absolutamente nada. Então pensei em fazer um agrado aos leitores do blog e ao mesmo tempo uma homenagem-agradecimento ao Dr. Daniel.

Gravei, anestesiado, uma musiqueta dos Beatles.
Confiram no Re-Play:

moskito com a boca anestesiada canta: It Won’t Be Long
(arquivo .mp3 – 800Kb)

Segunda-feira às onze da matina tem mais tratamento.
Veremos.

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O canal é o canal

Postado em 11 de outubro de 2005

Deixemos de lado minha vida sexual, por enquanto.
Vamos falar sobre meu dente.

O companheiro dente passou a doer o triplo da noite de ontem para hoje. Mal consegui dormir durante a madrugada. Ontem mesmo passei bactérias do meu dente para a boca da companheira futura namorada. Agora ela está adoentada e faltando provas da faculdade por minha culpa. Então, hoje cedo, não pensei duas vezes e fui ao posto de saúde do bairro para fazer uma consulta com o dentista.

Chegando lá eu tive que pegar uma senha e esperar.
A grande merda da situação é que esse povo que trabalha em posto de saúde é muito mau-humorado. Eles tratam todas as pessoas como se fossem mortos de fome, ignorantes fedorentos que tem todas as doenças do mundo. Tratam mal mesmo.

Eu muito do simpático fiquei esperando a minha vez enquanto lia um livro. Mas eu tava mais lendo o livro pra deixar claro que não era um morto de fome, ignorante que tem todas as doenças do mundo. Afinal sou apenas fedorento.

Chegada a minha vez entrei com o livro embaixo do braço e o dentista me esperava em sua saleta. O dentista, como a atendente, pareceu nem dar importância pra minha pessoa. Nem ao menos me diz um “Oi” ou manda eu sentar na cadeira. Então eu, como sempre faço quando sei que preciso conquistar alguém senão sofrerei dores fortes, abri um sorrisão e cumprimentei o senhor dentista.

— Olá. Bom dia. Tudo bom? – disse eu.
— Senta. – disse ele.

Sentei, abri minha boca e ele, sem falar nada começou a análise.

Os fatos que descreverei agora se passaram entre 3 e 7 segundos.
– O dentista ligou a luz pra iluminar minha fuça;
– Pegou um espelhinho;
– Meteu o espelhinho na minha boca;
– Analisou o lado esquerdo (a dor é no lado direito);
– Tirou o espelhinho e disse:

— Vai ter que tratar canal.
— Mas..
— Aqui eu não trato
— O dente que dói é no lado di…
— Vai ter que ir num dentista particular.
— Do lado direito…

O cara saiu da sala e me deixou sozinho.
Então decidi que vou tratar o canal mesmo. Marcarei hora no dentista e, a partir de hoje, este blog será um diário dentário sobre minha situação.

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HAHAHHA

Postado em 9 de outubro de 2005

Brochei.

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A tropa

Postado em 7 de outubro de 2005

Constava no diário do soldado que há 64 dias a tropa estava perdida meio à selva marroquina. Felizmente os mantimentos duravam com sucesso até a presente data. Não lhe faltava comida, remédios muito menos tabuleiros de xadrez, a não ser um bispo, que o soldado 21 fez o favor de perder e não contou para ninguém onde estava.

Caminhantes pela selva do Marrocos, os soldados encontram índios. Apavorados, os soldados sacam suas armas e fazem um posição estratégica de defesa, como aprenderam na escola militar.

— Calma, amigos. Viemos em paz – diz um dos índios.

A tropa inteira se mantém em silêncio, prevendo o pior. Então um dos índios (depois vieram a saber que se chamava Amadeu) fez um sinal coma mão e puxou de dentro do bolso um pente. Era de plástico, marrom e reluzia conforme as folhas da mata dançavam ao vento. Aquilo fascinou os soldados.

Dois dias depois os soldados ainda brigavam entre si.

— Não acredito que trocamos toda nossa comida por estes pentes.
— Calma, senhor. São pentes bonitos.
— Não. – gritava o capitão – Fomos enganados.
— Mas senhor…
— Vamos acabar com estes malditos.
— Vamos – grita a tropa toda, com revolta no sangue.

Um silêncio paira sobre aquela clareira onde a tropa estava. Todos se erntreolham. Alguns soldados coçam a cabeça, outros colocam a mão no queixo e três soldados limpam o ouvido com chave do carro. Então um novo grito do capitão espanta todos animais que estavam num raio de 5 km da clareira.

— Nãããããããããooooooo!!!!
— O que houve, capitão? – pergunta um dos soldados.
— Onde estão as nossas armas?

Um dos soldados (depois vieram a saber que se chamava Juarez) levantou o braço como se quisesse falar algo. O capitão fez um sinal com a cabeça e o soldado prosseguiu:

— Bem, capitão. Eu troquei as armas com os índios.
— Como assim, seu verme maldito? – irrou-se o capitão.
— Troquei nossas armas por estes espelhinhos.
— Espelhinhos?
— Bom… sim, senhor.
— ESPELHINHOS?
— Senhor…
— Que maravilha. Porque não me disse antes?

E lá se foi a tropa, brincando com seus espelhos, refletindo a felicidade de suas faces para toda a floresta, perdidos no Marrocos. Morreram três semanas depois, todos, por falta de mantimentos. Porém felizes.

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Detonado

Postado em 5 de outubro de 2005

Atendendo o pedido de um leitor que me enviou e-mail dia desses, voltamos com a série de livros detonados por mim.

Acabei de ler o livro O Exército de Um Homem Só, do Moacyr Scliar (o Highlander). Vou tentar textualizar toda sensação que o livro transmite, com palavras curtas e resumidas, mesmo achando que é quase impossível passar para esta tela o prazer de ler tal obra cativante.

Bom, as 162 páginas que compõem o miolo do livro O Exército de Um Homem Só foram impressas em papel de alta performance Chamois Bulk 90g/m² Alcalino da Ripasa. A arte de capa foi ilustrada por Ivan Pinheiro Machado sobre a ilustração do arquivo de imagens da L&PM Editores.

A impressão e acabamento foram feitas por Gráfica e Editora Palloti, de santa Maria – RS, com o fornecimento do fotolito feito pela mesma no outono deste ano. A diagramação interna agrada e torna a leitura agradável. O livro pertence à série L&PM POCKET e mede apenas 17x10cm facilmente cabíveis num bolso.

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Armando

Postado em 4 de outubro de 2005

O plebiscito do dia 23 de outubro, terá a seguinte pergunta:
Você é a favor da proibição do comércio de armas de fogo e munição no brasil?

( ) sim
( ) não

A pergunta é feita de forma a induzir a população a votar no sim quando ela quer na verdade dizer não. Porque?
Perguntei a minha funcionária, se ela ia votar sim ou não e ela me respondeu:

– É claro que vou votar sim. Eu não quero que só os bandidos fiquem armados. Eu quero ter direito a me defender e se quiser ter uma arma.

Vejam que na verdade ela quer dizer não, mas estava entendendo que deveria dizer sim. O governo coloca a palavra “proibição” exatamente para enganar a população.

Vejam:
Você é a favor da proibição do comércio de armas de fogo e munição no brasil? Tirando a palavra proibição fica:

Você é a favor do comércio de armas de fogo e munição no brasil?

( ) sim
( ) não

Melhorou não é mesmo?
Então, se você é a favor, divulgue o “não”.
Não vamos deixar que enganem a população com esse plebiscito dirigido.

*Coluna do Paulo Santana
Jornal Zero Hora de 14 de setembro.

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Este é o blog de Gabriel Von Doscht, um rico empresário que largou tudo para se dedicar ao seu verdadeiro dom: fazer pulseirinhas.