¿dequejeito?

Internet rápida é tudo

Postado em 28 de julho de 2005

miskoto diz:
Não sei se fico na sua casa ou num hotel.

Karla diz:
Venha. Porto Alegre é capital nacional das gostosas desesperadas.

miskoto diz:
Mas acho que vou ficar no hotel.

Karla diz:
Vamos ver. Minha casa (cheia de amigas liberais e gostosas) com net liberada e computador free, sem despesas ou sozinho num hotel fulero?

miskoto diz:
Sei lá. To indeciso.

Karla diz:
Deve estar mesmo.

miskoto diz:
Tenho que pensar… Você disse net liberada?

Karla diz:
Sim.

miskoto diz:
A conexão com a internet aí é boa?

Karla diz:
ADSL

miskoto diz:
Fechado. Sua casa então.

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Aulas acabam com a inteligência

Postado em 27 de julho de 2005

Pensemos nós, o que é mais importante: A inteligência motora e cognitiva ou a inteligência afetiva e de relação? Eu frequento aulas na escola há quanto tempo? Uns 18 anos ou mais, e até hoje eu nunca senti falta de deixar de estudar para alguma prova. Sempre me dei bem sem nem precisar prestar atenção na aula. Era só pegar um livro didático um dia antes da prova e mandar ver na decoreba. E nunca rodei na minha vida, até hoje.

Então, dia desses, numa aula da Auto-Escola em que o professor batalhava para conquistar a atenção dos alunos, percebi que a coisa é muito mais simples que parece e você não precisa saber de porra alguma para se dar bem na vida. Basta se divertir e usar a criatividade.

Imaginemos uma aula onde o professor é um ótimo educador e consegue fazer graças e divertir a turma o tempo todo (tipico professor de cursinho pré-vestibular). Os alunos acabam se prendendo na aula, usando seus cérebros para assimilar a matéria dada, pois o professor, sem forçar, deseja e consegue fazer isso. Os alunos acabam por ver a aula voar, não tendo tempo vago para sequer uma ida ao banheiro, quem dirá tempo vago para perder tempo com besteiras.

Pelo contrário, professores ruins e chatos fazem com que seus alunos percam a atenção na aula e comecem a ocupar o tempo destinado ao estudo com besteiras que acabam estimulando a criatividade. Como, por exemplo, participando de joguinhos idiotas:

Jogos durante a aula
Dentre as brincadeiras e passatempos que ajudam no desenvolvimento da criatividade dos alunos e podem ser jogados durante uma aula chata, existem alguns que são os campeões na preferência estudantil. São eles:

– Stop: O Stop está aí. É mais jogado do que truco e é um excelente jogo para exercitar o cérebro. Tudo que você precisa é de um grupo de pessoas que estejam aptas a jogar, uma folha de caderno e uma caneta. Coloca os tópicos, sorteia uma letra e começa o jogo. Quem conseguir mais palavras referentes ao tópico, ganha a rodada. Mais fácil só falsificando assinatura do pai pra sair mais cedo.

– Moleste o Cu de Ferro: Consiste em fazer pequenas bolas de papel (pode usar as folhas rabiscadas do Stop) e arremessar contra a nuca dos CDF’s da sala, que não vão nem se importar com as papeladas na cabeça, pois são burros e preferem prestar atenção na aula do que exercitar a pontaria, cordenação motora e habilidade física.

– Hummm: Você lembra daquele filme da Sessão da Tarde em que uma turma de repetentes tinha que fazer um curso nas férias com um professor surfista? O nome do filme é Curso de Verão. Lembrou? Beleza, então não preciso explicar.

– Avaliação Futura: Mas é claro que nem sempre você poderá contar com a ajuda dos colegas para formar grupos de jogos em aula. Então aqui vai uma dica preciosa de um jogo muito bom que pode ser jogado sozinho, com você mesmo, obviamente.

Primeiramente você deve fazer contato visual com todos os alunos da sua sala de aula e pós uma análise superficial da aparência física e cultural você começa o jogo, divagando sobre o possível futuro de cada colega. Até pode paracer um jogo chato, mas garanto que é satisfatório, se não hoje, daqui há alguns anos quando você descobrirá que a gostosa da turma se tornou atriz pornô ao invés de veterinária.

CDF’s – Inteligentes, criativos ou placebos?
Os CDF’s prestam tanta atenção na aula que acabam não usando o tempo da aula para fazer coisas idiotas. Por isso CDF’s acabam se tornando advogados, publicitários ou jornalistas. Profissões as quais não é necessário o uso do cérebro.

O assunto é sério. Estamos formando uma legião de estudiosos sem carisma. Não pensem nisso.

Entrevista na Rádio

Postado em 26 de julho de 2005

Essa é pra quem não ouviu ainda no site dos Wilsos.
Eis que eu e meus fiéis comancheros de banda demos uma entrevista na Rádio 106.3 de Carazinho no dia de sábado retrasado (não lembro qual era). O combinado era de nós ficar na rádio por 4 minutos e só falar nossos primeiros nomes (pra falar os sobrenomes custava mais). Pois não é que, atendendo pedidos do público que ouvia, acabamos ficando 50 minutos no estúdio. Muitas receitas, piadas e mentiras.

Ôh delícia. Ta aí os melhores momentos da entrevista em 30 minutos de pura cremosidade. Aquela coisa honesta.

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O Exame

Postado em 25 de julho de 2005

Gente boa. Acabei de voltar da Auto-Escola, onde fiz o exame teórico para tirar carteira de motorista. Aquela coisa linda de sempre, normal em testes. O examinador tinha um nome estranho e fazia piadas de humor friendly o tempo todo, tipo “Vocês podem colar. Até trouxe um tubo de tenaz pra facilitar“. E o pessoal se deliciava na risada.

Mas a parte mais legal mesmo é a prova. Eu faria uma dessas por semana, se não tivesse que pagar uma taxa absurda pro Detran. Só pra me divertir um pouco.

— Moskito. Tem umas gatinhas arregadas pra gente matar.
— Não vai dar, cara. Tenho um exame na auto-escola.

Seria lindo poder acordar as seis da manhã toda segunda-feira num frio de 7ºC, atravessar a cidade pra responder questões como a questão número 17 da prova de hoje.

17) Em matéria publicada pelo “Jornal Zero Hora” do dia 23 de agosto de 2004, uma foto mostrava um veículo partido ao meio ao chocar-se com um poste. Havia, nesse poste, placa limitando a velocidade em 40 Km/h. Com isso podemos concluir que:

A) O condutor conduzia o seu veículo a 40 Km/h.
B) Velocidade baixa pode partir o veículo ao meio.
C) Os veículos novos são são tão resistentes quanto os antigos.
D) A velocidade excessiva pode causar mortes no trânsito.
E) Placas de 40 km/h não funcionam quando o veículo está partido ao meio.

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Sexo, virgindade, sucrilhos…

Postado em

Lelê diz:
Foi por uma boa causa. O menino tá precisando.

miskoto diz:
Precisando??????

Lelê diz:
É.

miskoto diz:
ELE É VIRGEM

Lelê diz:
E?

miskoto diz:
Nenhum virgem precisa de sexo.

Lelê diz:
Ele tá cheio de espinhas, coitado.

miskoto diz:
Quem precisa de sexo é quem nao é virgem.

Lelê diz:
Ahn?

miskoto diz:
Enquanto você é virgem você pensa: “Sexo é secundário. Consigo viver sem isso.” Daí você perde a virgindade e vira dependente da coisa.

Lelê diz:
Verdade. Você tem razão.

miskoto diz:
Eu tô desde março sem e já to ficando maluco.

Lelê diz:
Essas coisas deveriam vender no mercado. Ao lado do sucrilhos.

miskoto diz:
Virgindade ou sexo?

Lelê diz:
Sexo.

miskoto diz:
Eu dava a bunda pra voltar a ser virgem.

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Rio de Janeiro – Parte Três

Postado em 21 de julho de 2005

Nos últimos capítulos vimos que eu acabei me dando mal na cidade grande e fui parar numa favela, trancafiado dentro de um barraco fedorento cheio de malandro armado querendo me comer e depois me matar.

A fome me matava e aquele lugar destruia meu cabelo. E vocês sabem o quanto eu odeio pontas duplas, né. Foi aí, depois de muto tempo preso, sem ver a luz do dia, abriu-se aquela porta do barraco e entrou um negão.

Parenteses:
Era um negão mesmo. Sabe quando a cor da pele da pessoa é negra? Pois é. Se pode chamar de negão. Então não me venham cagar regra de valores morais e respeito racial. Era negão e pronto, favelado também. Eu tenho culpa agora se o cara morava numa favela? Tenho que descrever a situação com *exatismo* de fatos.

— Se liga, playboy. Tu vai ser julgado hoje, truta.
— E-eu? Eu julgado?
— É, mano. O julgamento demorô pra rolar porque o Mano Sarampo, chefe aqui do morro, tava viajando. E sem ele não rola julgamento, saca?
— Ma.. mas… Vou ser julgado por que?
— Pra saber se tu vai morrer ou servir de mulherzinha pra comunidade.

A situação tava preta… Hum.. Bom, a situação tava pesada pro meu lado. Com a ajuda de mais dois camaradas, o negão, chamado de Rubão, me levou até um local estratégico que mais parecia um puteiro. Lá tinha um tapetão vermelho e várias cadeiras daquelas de metal com marcas de cerveja serigradas no encosto. Me colocaram sentado, com as mãos amarradas, numa dessa cadeiras.

De frente pra mim tinha uma espécie de pulpito feito com caixas de madeira. Ali surgiu um sujeito magrelo, de cabelos lisos e avermelhados, com uma camisa da Gaviões da Fiel. Pelo silêncio que foi feito no local, constatei que aquele homenzinho só podia ser uma pessoa: O Mano Sarampo, chefe do morro.

— Desculpem minha ausência nos últimos dias, manos. – disse o Mano Sarampo, para a cerca de 20 marginais que estavam presentes naquele julgamento. – Eu estava viajando um pouco. – completou.
— Foi pra onde, Mano Sarampo? – perguntou um neguinho da platéia.
— Eu tava em Campos do Jordão vendo o Pânico na TV.
— Orra. Da hora, hein mano.
— Sim. Muito preza.

Aí eu já não tava mais entendo nada. Enquanto os marginais favelados conversavam sobre suas viagens eu me desliguei do ambiente e comecei a prestar atenção em detalhes. Não demorei para descobrir um fato muito chocante: Todos as pessoas presentes ali estavam armadas, com armas de brinquedo. Inclusive o Mano Sarampo. Me questionei: “Que tipo de marginais são esses? Será que eles tem desmanches de Transformers e sequestram Barbies também?”.

— Eu to falando contigo, playboy.
— (….)
— Ôh, mané. Tá me igorando, mano?
— Eu? – perguntei.
— Sim, você. – disse o Mano Sarampo.
— Não.. Não senhor.
— Então, dom. Hoje tu terá teu julgamento aqui no morro.

Nisso o Mano Sarampo fez um sinal com a mão, chamando um dos seus capangas, que se aproximou. O Mano Sarampo sussurou algo no ouvido do capanga e este saiu correndo. Não deu nem um minuto e o capanga estava de volta de mão dada com uma criança de uns 11 anos de idade.

— Esse é o meu filho Samuel. Ele vai assistir o julgamento.
— Sim, senhor. – concordei.
— Então tá certo. Vamo começar com a bagaça aí, manos. Nóis vai julgar o tal playboy aí que cagoetou geral dentro do busão e fodeu com os truta que desceram o morro pra ganhar a grana sofrida do dia a dia. Quem aqui é contra a…
— Papai, papai. – grita o pequeno Samuel.
— O que foi, Samuel? Não vê que papai tá trabalhando?
— Papai, eu conheço ele. É o cara dos dedos.

A marginalada toda se estupefactou e eu também. Aquele guri tava apontando pra mim e dizendo que me conhecia. Eu não sabia o que fazer. Só restou ouvir o que o pequeno Samuel iria relatar instantes depois, que viria a mudar todo o rumo desta saga.

A História de Samuel
Conheci a história de Samuel, o menino que entregou para a Polícia Federal todas as armas dos moradores da favela e com o dinheiro que recebeu em troca, comprou um computador para colocar no seu barraco. O Mano Sarampo, por sua vez, havia feito um gato ali e o Samuel podia então acessar a internet sem grandes problemas. E foi aí que eu entrei na história.

O Samuel era visitante assíduo do meu antigo fotolog: O Dedos em Fúria e gostava bastante das fotos que eu colocava lá. Ele explicou pro seu pai, o Mano Sarampo, que eu era tipo um gênio dos dedos, que eu conseguia fazer coisas legais com qualquer objeto.

— Então vamo ver, playboy.
— Ver oque, senhor?
— Se você manda bem nos dedos, como meu moleque disse.

Então o Rubão trouxe até mim um palito de picolé e desamarrou minhas mãos.

— Mostra ae, playboy.
— Dá um frontside boardslide na cadeira, cara. – disse o pequeno Samuel.

Peguei o palito, coloquei no chão, me abaixei, alonguei os dedos, pressionei o palito contra o chão usando o indicador e o dedo do meio, me concentrei e pronto. Mandei um frontside boardslide na cadeira saindo de flip.

A marginalada toda foi a loucura e o pequeno Samuel me abraçou de felicidade. O Mano Sarampo, vendo a alegria de seu rebento e de todos os marginais ali presentes, decidiu devolver meu relógio e me soltar, com uma condição: Eu teria que reabrir meu fotolog.

Aceitei sem pestanejar.
Sai escoltado da favela, sob aplausos e de brinde ainda ganhei um pacotinho de Colomy e três picolés de limão. Ao chegar lá embaixo, no pé do morro, olhei para cima e tudo que vi foi a felicidade dos moradores, que festejavam, gritavam e davam tiros para cima com suas arminhas de plástico. Aquelas que soltam bólinhas amarelas.

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Rio de Janeiro – Parte Dois

Postado em 19 de julho de 2005

No último capítulo vimos que o cobrador ninja, aproveitando a distração dos três amigos assaltantes, acertou com dois tiros uma das caixas de isopor que estavam no ônibus.

Nisso o ônibus brecou e os três malandrões saíram correndo, um deles levou uma caixa de isopor, os outros fugiram também mas deixaram pra trás suas caixas. De dentro daquela caixa, que foi acertada pelo disparo do cobrador, começou a jorrar água. Eu, que estava perto dela, me abaixei calmamente e abri a tampa. Dentro, por azar, tinha muitos picolés e nenhum dinheiro ou bem roubado dos passageiros. Na outra caixa que ficou também só existiam picolés.

— Tem de creme? – perguntou-me o japonês lá da frente.
— Não senhor. São todos de limão. – disse eu.
— Ah, que droga.

Os passageiros, já mais calmos, se refizeram e começaram a chupar os picolés que estavam nas caixas antes que eles derretessem. Uma criança diabética passou mal e o motorista teve que fazer escala num pronto-socorro para depois nos levar até a delegacia mais próxima prestar queixa e registrar um boletim de ocorrência.

Tudo certo. Parece que nenhum dos passageiros sofreu grandes perdas. A não ser a criança diabética que estava no hospital tomando insulina, um espanhol que perdeu uma câmera da TecPix e o japonês, que até aquela hora ainda estava indignado pela falta de picolé de creme naquelas caixas de isopor.

Eu só havia perdido meu relógio. Um relógio muito bonito e legal, coisa fina. Um apego sentimental terrível tinha eu por aquela peça, mas fazer o que. Pelo menos meu destino não foi o mais trágico, como o daqueles picolés, que foram comidos violentamente pela criança diabética. As vezes penso que a criança mereceu aquilo tudo que aconteceu. Nunca tinha visto alguém comer tantos picolés de limão de forma tão voraz. O castigo da insulina foi pouco para ela.

Depois da delegacia o ônibus foi para a garagem e os passageiros ficaram todos a pé na rua. A maioria marcou um jogo de boliche, mas eu não podia perder meu tempo com estas confraternizaçãozinhas. Eu pecisava ir para a Barra da Tijuca tratar de questões profissionais e me despedi de todos eles (exceto a criança diabética que estava no hospital, lógico). Segui até o ponto de ônibus mais próximo para pegar outra carona até a Barra.

Não demorou muito para outro ônibus com destino a Barra chegar. Quando fui embarcar, saiu pela porta o assaltante (aquele mesmo), com sua caixa de isopor. O malandro me viu e, sem pestanejar, me deu uma coronhada na cabeça, usando sua arma. Tudo que consegui foi escutar o barulho de plástico quebrando, enquanto minha visão se perdia. Antes de apagar completamente ouvi ele dizer:

— Perdeu, mano. Embaçô pros teu lado, dom.

Nunca pensei que uma arma de brinquedo pudesse ser tão “mortal”. Acordei umas quatorze horas depois, preso num barraco mal ilumidado e úmido. Algumas vozes vinham do lado de fora do barraco. A não ser pelo sotaque paulista dos marginais, conlui que aquilo só podia ser um sequestro e meu cativeiro era uma favela carioca.

Continua…

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Eu sempre acabo voltando

Postado em 18 de julho de 2005

O Rio de Janeiro é uma cidade até que grandinha e estava eu nessa de ir lá pra Barra da Tijuca de ônibus, afim de acertar as paradas sobre um futuro emprego na cidade mais ignominiosa do planeta. Mas isso não vem ao caso agora. O que vem ao caso agora é essa história, divida em três partes, que relatará a minha saga na cidade maravilhosa.

Rio de Janeiro – Parte Um

Então estava eu no busão lotado de cariocas, turistas espanhóis e japoneses quando que passa na catraca um malandro, cabelo raspado, bermudão, chinelo, camiseta regata e uma caixa de isopor na mão. Um japonês lá nos primeiros bancos gritou pro malandro:

— Aqui. me dá um de creme.
— De creme o que? – disse o malandro.
— Um picolé. Quero um picolé de creme.
— Não tenho picolé não, porra.
— Então o que é isso aí? – perguntou o japonês apontando pra caixa de isopor com o dedo indicador.

Foi aí que o malandro abriu a tampa da caixa de isopor, colocou a mão lá dentro, olhou pros lados como se procurasse algo, voltou o olhar pro inteiror da caixa e rapidamente sacou, lá de dentro, uma arma.

— Isso é um assalto.
— Senhor não é picolezeiro? – perguntou o japonês.
— Sou um assaltante, caralho.

O cara parecia estar muito pilhado. Sacolejava aquela arma de um lado para o outro e isso estava deixando cada vez mais nervoso o pessoal mais idoso e os turistas espanhóis do ônibus. Algumas mulheres esboçaram uns gritos que foram imediatamente acalmados por outros passageiros que tentavam manter a situação sob controle.

O assaltante começou a fazer limpa. Mandou que os passageios esvaziassem suas carteiras e bolsas dentro da caixa de isopor. Todos cumpriram suas ordens até que ele chegou no fundão do ônibus.

— Ae, cabeludo. Passa esse relógio pra cá.
— Não. – disse eu.
— Porra, moleque. Cê tá me tirando?
— Quem sabe?
— Cê é folgado, mano.
— Tu é paulista?
— O que te interessa, caralho? Passa esse relógio.
— Não.
— Tu vai querer levar bala? – ameaçou com a arma.

Então, com muita calma, me levantei do meu banco. Tirei o meu relógio do pulso, cheguei mais perto do assaltante e disse baixinho, enquanto colocava o relógio dentro da caixa de isopor:

— Se liga, mané. Da pra ver de longe que essa tua arma é de brinquedo.
— Que foi, mano? Tá pirado?
— Quer que eu conte pros outros? – sussurrei eu.
— Tu tá querendo levar bala né? – ameaçou ele.

Com certeza a arma era de brinquedo, ou eu não estaria aqui pra contar a história hoje e nem teria falado daquele jeito com o “assaltante de plástico”. E o malandro sacou que eu tava sendo até bem camarada dele por falar baixinho sobre o seu segredo. Então ele baixou a arma e procurou o meu relógio dentro da caixa, para me devolver.

Foi aí que o ônibus freiou bruscamente e a porta se abriu. Uma velhinha espanhola bateu a cabeça num banco e desmaiou. Pela porta da frente entraram dois caras vestidos completamente igual ao assaltante. Agora tinhamos três malandros com caixas de isopor dentro do ônibus.

— Fala, Confete.
— Qualé, dom. Se liga nas treta. – respondeu o assaltante.
— Como vai a família, bródi? – perguntou o cara da caixa de isopor azul.
— Bem, tudo na calmaria.
— Porra, legal te encontrar. Esse aqui é meu irmão, o Catatau.
— Qualé, Catatau. – disse o assaltante, enquanto cumprimentava calmamente o carinha da caixa de isopor amarela.

Em meio a tudo a isso estavam os passageiros completamente apavorados diante a audácia e cara de pau daqueles três malandros com caixa de isopor. Nisso o cobrador deu um berro: “Se liga, seu puto!”. E, ninjamente, pulou a catraca, sacou um revolver, rolou duas vezes no chão, levantou e atingiu com dois tiros uma das caixas de isopor que estavam ali.

Continua…

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Lúcio Ribeiro é meu pastor

Postado em 11 de julho de 2005

E o Weezer virá.
A cultuada banda norte-americana Weezer, a Folha apurou, será a grande estrela do Curitiba Rock Festival, em setembro.
Hoje uma das megabandas do rock e conhecidíssima da “geração MTV”, o Weezer arranca suspiros dos fãs brasileiros há mais de dez anos, desde que lançou o famoso “Álbum Azul”, em 1994.
O grupo de Los Angeles trará ao Brasil, para o show de 24 de setembro, provavelmente na belíssima pedreira Paulo Leminski, a turnê de seu novo álbum, “Make Believe”.

Alguém que mora em Curitiba, tenha muito dinheiro e seja legal quer ser meu amigo ou namorada?

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A molecada se diverte

Postado em 9 de julho de 2005

Ontem o show dos Wilsos foi a coisa mais engraçada e ridícula da cidade. Logo no final da primeira música, um cara que tava sentado lá no fundo sacou uma arminha de espoleta e deu três tiros pra cima, seguidos daquele cordial grito de cowboy: “yahhhh”.

Depois disso eu já não consegui mais cantar nem tocar nada. Passei quase toda apresentação me mijando de rir. Até que lá pela metade, um pouco antes de tocar uma do Garotos da Rua, uma corda minha resolve estourar. E, cacete, eu tinha quatro solos pra fazer na música.

Nos três primeiros solos eu até tentei improvisar algo bem tosco. No último tive que partir pra avacalhação e solei lindamente com a boca: “tuinnnnnn póoóóóóó uuuu ia iaaaaaaaa”. Foi lindo.

E no final ainda rolou uma briga a socos e chutes minha com o John. Tudo no meio daquele clima divertoso.

Resumindo: Foi uma merda, mas deu pra rir legal.

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Este é o blog de Gabriel Von Doscht, um rico empresário que largou tudo para se dedicar ao seu verdadeiro dom: fazer pulseirinhas.