¿dequejeito?

Os melhores posts do mundo – Maldades com Animais

Postado em 27 de julho de 2004

João, o coelho que passou em minha vida

Era novembro de 1993 quando eu tinha uns 10 anos de idade. Viajei com minha família para a terra natal de meu pai, uma pequena cidade no interior gaúcho com cerca de 800 habitantes. A cidade tinha todo aquele clima de roça, uma praça com igreja na frente, bestialismo e coisas deste tipo.
Nos hospedamos na casa de um tio meu que criava nos fundos do terreno coelhos e outros animais fofinhos, que a minha inocência não deixou perceber que eram animais para consumo. Pensei eu que fosse para brincar.

No dia que íamos embora meu pai mandou que eu fosse junto com meu primo lá atrás e que eu escolhesse um coelho para levarmos para casa. Eu fiquei muito feliz pois não tinha, e nunca havia tido, nenhum animalzinho de estimação.
Meu primo, que era mais velho do que eu, me perguntou:

— Qual deles você quer?
— Esse aqui pintadinho de cinza.
— Toma ele aqui.
— Qual o nome dele?
— Hã? Nome de quem?
— Do Coelhinho
— Hã… Putz…
— (…)
— Ah! humm… É João!
— João?
— Sim, João!

Voltei correndo para mostrar para o meu pai o meu novo amiguinho João, um coelho branquinho com manchinhas cinzas espalhadas pelo seu corpinho felpudo. Voltamos para casa e a partir daquele dia eu brincava sempre com o querido João.
João era um ótimo animalzinho. Meu pai sempre me dizia para o deixar sempre bem alimentado e nunca deixar o portão aberto, senão ele poderia fugir. Eu brincava, corria, esperneava e afofava o coelho João. Era pura alegria.

Passarem-se uns 40 dias e numa bela manhã eu acordei e João não estava lá. Perguntei para minha mãe oque havia acontecido e ela me disse que ele havia fugido. Meu pai também confirmou a fuga de João.
Fiquei muito triste pela perda do meu animalzinho, mas já era Natal (presentes, Papai Noel e a ceia natalina) e nessas épocas é díficil que crianças fiquem tristes. Nunca vou esquecer da ceia daquele ano e os deliciosos pratos preparados.

— Papai, corta uma coxinha pra mim!
— Claro! qual você quer? Essa de frango ou de coelho?
— Hein?
— Ah! desculpa! Eu quis dizer carneiro. Carne de carneiro!
— Ah bom. Quero do carneiro.

Estava deliciosa aquela ceia. Uma das melhores de todos os tempos. Só senti tristeza por João que não pode estar lá para dividir tamanha alegria comigo.
Anos depois descobri a verdade. Usando o raciocínio lógico pude constatar que João não havia fugido, mas sim tinha sido vítima de um ato cruel que meus pais, durante todo aquele tempo, esconderam de mim:
João havia sido roubado pelo Papai Noel.

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Este é o blog de Gabriel Von Doscht, um rico empresário que largou tudo para se dedicar ao seu verdadeiro dom: fazer pulseirinhas.

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