¿dequejeito?

Histórias de família

Postado em 29 de outubro de 2004

Eu tinha tudo pra ser um grande desenhista, um artista. Mas aconteceu algo na minha infância que me fez desistir dessa coisa de desenhar. E agora vivo meu futuro na mediocridade. Segue abaixo a história.

Lá pelos meus nove anos, meus pais, vendo que eu levava jeito pra ser meio viado, me presentearam com uma bola de futebol da Umbro. Infelizmente eles não conseguiram me desviar do caminho da viadagem pois vendi a bola para um vizinho e comprei um bloco de desenho com o dinheiro.

Mas não era qualquer bloco. Era um bloco francês com 100 folhas de papel sedoso e pró-deslizante de gramatura mínima, confeccionado com folhas e troncos podres de cerejeiras europeias. Uma delícia.

Em dois ou três anos eu já tinha completado de desenhos o tal. Desenhos afetuosos e bem feitinhos, ilustrando com magnitude aquele nobre bloco de papel. Então, já que estava completo, escondi o bloco dentro de um antigo baú para que ninguém achasse e assim minha obra fosse imortalizada em minha casa. Quem sabe no futuro, quando fosse um grande desenhista, mostraria o tal bloco de desenhos em programas de televisão e revistas de arte.

Passado um tempo fui até o baú pegar o bloco para dar uma olhadela e alimentar um pouco minha alma artística. Mas algo estava errado, pois do meu bloco com 100 folhas daquele sedoso papel, só havia sobrado a capa.

Me desesperei. Onde que estavam todos os meus desenhos?
Sim, entra na história o personagem do meu irmão, que no auge de sua liberdade fraternal usou as 100 folhas do meu bloco para fechar baseados que ele fumava com os amigos.

E foi assim que as drogas terminaram com o meu futuro no desenho.

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Este é o blog de Gabriel Von Doscht, um rico empresário que largou tudo para se dedicar ao seu verdadeiro dom: fazer pulseirinhas.

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