¿dequejeito?

2º LUGAR – Melhor post do ano

Postado em 23 de dezembro de 2004

Um Tabefe muito louco de Verão
Estava eu indo da minha casa até o ponto de ônibus (cerca de 400 metros) para pegar o ônibus (dã!) para a faculdade. Quando estava percorrendo os 250 metros, por aí, um carro marrom, com sirenes no topo, parou e me abordou:

— Oh! Moleque. Onde cê tá indo?
— Pra aula, seu guarda.
— Guarda o caralho. Sou policial, piá de merda.
— Desculpa, senhor.

Os dois caras de farda desceram do carro e mandaram eu encostar na parede.

— Mão na cabeça, moleque.
— Sim senhor.

Como habitualmente fazem comigo, chutaram meu tornozelo com uma daquelas botas com ferro na ponta a fim de que eu abrisse minhas pernas para ser revistado. Controlei a dor e não reclamei.

— Mas veja só o que achei aqui neste bolso.
— O que? Esse bolso tá furado. Nada para aí.
— Hmm.. Mas veja só o que encontrei no outro bolso então.
— Ahaha. Só pode ser piada.
— Cala boca, maconheiro. (tabefe na nuca)

Eles haviam “encontrado” um pacote com algo parecido com orégano dentro. Óbvio que eu não ando com essas coisas no bolso. Exceto quando quero fazer uma pizza, então o orégano é indispensável.

— Seu guarda…
— Policial, seu puto! (tabefe na nuca)
— Policial, senhor. Essa coisa não é minha não.
— Não? Então como ela foi parar no seu bolso?
— Ué. Você colocou aí.
— Hmmm.

Nisso eu levo mais um tabefe na nuca e meu ônibus passa com alguns amigos meus olhando pela janela e apontando como se falassem: “Olha lá o moskito perdendo o ônibus pra faculdade e apanhando dos guardas”.

— Tu tá querendo dizer que nós armamos pra você?
— Sim.

Levei outro tabefe.

— Tu vai ir pra delegacia com nós, piá.
— Está bem, lá vocês ligam pro meu pai e ele vai levar meus exames médicos que provam que eu não posso usar nenhuma substância que acelere os batimentos cardiacos, pois corro o risco de morrer.
— É?
— Sim, assim ficará óbvio que eu não uso drogas e que obviamente vocês queriam apenas me dar um atraque pra mostrar serviço.

Os policiais se olharam. Fizeram sinais de olhos entre si, voltaram a me dar um tabefe e falaram em tom de imposição:

— Hum… Tá bom, você está liberado.
— Liberado? Eu perdi meu ônibus, seu guarda.
— É?
— E agora preciso de uma carona até a faculdade. Porque não posso ir caminhando até lá. Sabe, tem esse problema no coração.
— Hmmm.

Eles se olharam, fizeram um sinal de mão tipo alienigena e deram a ordem: “Entra na viatura, viado. Não queremos ser responsabilizados pela sua parada cardiaca”. E lá fui eu pra faculdade, escoltado.

— Ae, tiozinho. Não rola ligar a sirene aí?
— Hein?
— Só pra galera da faculdade me ver chegando escoltado.
— Tu ta zoando?
— Não.
— Hmmm.

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Este é o blog de Gabriel Von Doscht, um rico empresário que largou tudo para se dedicar ao seu verdadeiro dom: fazer pulseirinhas.

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