¿dequejeito?

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Postado em 19 de maio de 2004

20:30
Estava na rodoviaria e o ônibus ainda não havia chegado no box, então um tiozinho barrigudo apareceu pedindo se alguém queria trocar de poltrona no ônibus, pois precisava sentar no fundo, já que havia comido muito na janta e iria certamente roncar.

“Comi um churrasco e o cara me disse que era carne de gato. Então além de roncar eu vou miar.”

Ninguém riu da pobre piadinha e o ônibus chegou. Todos subimos e adentramos nesta maravilhosa viagem rumo a São Paulo. Serão 17 horas de pura aventura e tédio. Dá até pra escrever um livro sobre isso. Mas vamos lá, a viagem é longa e eu já me acomodei em meu banco número 17.

21:00
Quinze minutinhos depois o ônibus para a janta. Mas eu já havia jantado em casa, então prefiri ficar dentro do ônibus ouvindo meu discman. O motorista me obrigou a descer pois o ônibus precisava ser limpo. Desci e fui até o restaurante. Mesmo já tendo jantado, comprei um Ruffles e uma Coca-Cola, para evitar o constrangimento.

A mina do caixa conseguiu cometer a proeza de fazer um cálculo de subtração, ao invés, da tradicional adição. Paguei R$ 1,50 por tudo (R$ 3,00 do Ruffles menos 1,50 da Coca-Cola) e fui pro ônibus.
Chegando no interior do ônibus, o tiozinho do churrasco de gato já estava roncando em sua poltrona. O ônibus então partiu do restaurante para a rodoviária da cidade em questão. Chegando lá, embarcaram mais alguns passageiros. Um cara fedendo a Carlton sentou no meu lado. Abriu sua bolsa e puxou um Mp3 Player de dentro.

Quando ele foi fechar a bolsa, dei uma boa olhada rápida e vi que ele era contrabandista, pois dentro da bolsa haviam umas 8 caixas de cigarro. Depois olhei melhor e vi que o que ele tinha era apenas um walkman paraguaio. Nada demais.
O motorista abre a porta e avisa: “Pessoal, eu sou o motorista e qualquer problema que acontecça, vocês podem bater ali na porta e me chamar. Eu só não empresto dinheiro.”. O ônibus todo riu da piada, menos eu que prefiri colocar os fones e ouvir um pouco de Elliott Smith.

Antes que eu ligasse o aúdio, ainda deu tempo de ouvir o motorista falar: “Daqui até Curitiba são 8 horas. Boa viagem”

Como assim?
Eu to indo pra São Paulo, porra!
nem deu tempo para reclamar. O motorista fechou a porta, voltou para sua cabine, desligou as luzes e deu a partida. Fiquei no escuro com a dúvida: “Embarquei no ônibus certo ou errado?”
Resolvi me acalmar e tentar dormir. A viagem está apenas começando e de quebra, acabo de descobrir que o aparelho do contrabandista é só um radinho de pilha.
O tiinhozinho lá na frente continua a roncar.

2:00
Lá na frente do ônibus tem um mostrador digital que indica as horas, a temperatura, e, quando alguém entra n banheiro, fica piscando uma mensagem “WC OCUPADO”. Só que essa mensagem já ta piscando há mais de duas horas e eu acho que ninguém tá no banheiro.
Eu já tava aflito mas uma senhora mais aflita do que eu foi avisar o motorista que parou o ônibus e resolveu o problema do banheiro, dando chutes na porta.Nada melhor do que a tecnologia.
O indicador do WC OCUPDo parou de piscar e garantiu a noite de sono de todas as pessoas aflitas do ônibus.

4:00
Rolou um lanche supimpa da madrugada. Todos os passageiros desceram do ônibus, exceto o tiozinho lá da frente que continuou roncando em sua poltrona. O contrabandista desceu, só que ao invés de comer, prefiriu apenas fumar.
Depois de tomar um Toddynho, voltei para o ônibus e dormi.

7:00
Acordei pela manhã, quando o ônibus chgou a Curitiba e a maioria dos passageiros desembarcou, exceto o contrabandista que nesse momento estava conversando comuma menina Wicca do banco de trás, e o tiozinho que continuou roncando lá na frente.

Comecei a prestar atenção nos papos do contrabandista e a mina wicca. Ele ta tentando dar migué nela e ela ta notando que ele é um idiota.

— Oque você gosta de fazer? Balada, fumar, música?
— Gosto de ler
— Que tipo de livro?
— Filosofia
— Ah! Eu tenho um livro de filosofia aqui
— É?
— ó Só
(mostrando para ela um livro de auto-ajuda)

Depois o contrabandista resolveu mentir que era cartunista e queria fazer uma caricatura dela. Ela não aceitou então ele tentou puxar um assunto deveras interessante com ela.

— Você acredita em Deus?
— Eu sou agnóstica.
— Oi?
— Agnóstica.
— Não entendi.
— Agnóstica.

Ele se virou pra frente e resolveu dormir, visto que não sabia o significado de tal palavra e por isso, não conseguiria conversar com ela.

13:00
Depois de uma longa viagem até São Paulo é chegada a hora do desembarque. todos os passageiros saem e eu fiquei por último. Lá na frente o tiozinho gordo estava roncando, dei uns tapinhas no seu ombro e ele logo acordou.

— Opa, tio! Chegamos.
— Já? Foi tão rápido, nem notei.
— Já sim.
— Eu ronquei?
— Um pouquinho só.
— E miei?
— Não.
— Ah! Então tá bom.

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Este é o blog de Gabriel Von Doscht, um rico empresário que largou tudo para se dedicar ao seu verdadeiro dom: fazer pulseirinhas.

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