¿dequejeito?

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Postado em 24 de julho de 2003

Skate, Polícia, Prefeitura e Putas
Hoje fui até a praça central da cidade munido do meu skate. Tudo muito bonito, vários skatistas andando nas calçadas, quebrando os bens públicos e atrplenado os idosos, até que chegou um senhor mostrando um crachá da prefeitura municipal. Ele havia recebido ordens para recolher todos os skates que estivessem na calçada e avisou que estes ficariam guardados na delegacia de polícia e para retirá-los deveria ser pago uma multa de 88 reais.
É claro que o pau comeu solto na praça e ninguém deixou o fiscal levar os skates. Pronto, virou caso de polícia.

Os polícias chegaram com aquela pose de malandro e não pensaram muito pra começarem a dar tapão na nuca da molecada.

— Ae moleque! Qual teu nome?
— É Felipe, senhor.
— Qual o nome e sobrenome do teu pai?
— É Gelson Oliveira, senhor.
— Grandes merdas, guri! (slapft na nuca)
— Desculpa, senhor… (guri chorando)

— Ae moleque, Qual teu nome?
— É Thiago De Carli, senhor.
— Ah! De Carli é? Filho do Adamastor?
— Sim, isso mesmo.
— Ah. Então vai pra casa vai.

Como eu não tenho um sobrenome influente na cidade e sou considerado maior de idade, fiquei na minha e não dei muito papo pra nenhum dos homens de farda.
É claro que novamente ninguém deixou o skate ser confiscado e acabamos todos indo visitar a delegacia de polícia onde o conselho tutelar já estava nos esperando para dar as devidas “mijadas”.
Sentamos num banco de ferro gelado e sem pintura, nele havia ou algema pendurada. Pronto, vamos brincar de bandido. Escolhemos o menor entre nós, o Felipe (aquele que tomou tapão dos polícias) e colocamos a algemas nele, só de brincadeira.
Triste fato foi receber a notícia do policial, que aquela algema não tinha chave e o guri iria ter que permanecer algemado até encontrarem uma solução. Bom, mas isso não vem ao caso agora.

Como todo skatista é folgado, brigamos denovo e dae a situação virou caso de prefeitura. Fomos, escoltados, falar com o secretário do trânsito da cidade que, descobrimos quando chegamos lá, era uma mulher.
Ela parecia aquelas tias de escola de ensino fundamental, com um largo sorriso no rosto e tentando nos convencer que andar de skate nas ruas e calçadas é contra a lei e algum pedestre pode se machucar.

Novamente brigamos e fizemos uma reunião a portas fechadas com alguns integrantes da prefeitura: o faxineiro, a moça do café e um carinha que só tava lá pra arrumar o encanamento. Estes decidiram por chamar o secretário de obras da cidade que estava em casa, no conforto do lar, mas prometeu chegar na prefeitura em 2 minutos.

45 minutos depois o secretário de obras chegou lá todo desarrumado, de chinelo havaianas e boné virado na cabeça, mas conversou na boa e prometeu que daqui há uns 3 anos teremos uma pista de skate de qualidade na cidade, enquanto isso teremos que esperar em casa, sem poder andar de skate nas calçadas ou nas ruas, pois lei é lei.

Todos ficamos conformados com a situação precária e acabamos aceitando nossa condição de skatistas pobres e de cabelos podres. A secretária do trânsito nos levou até a porta da prefeitura onde os polícias deveriam estar nos aguardando para nos levar novamente para delegacia e nos prender em celas úmidas com bandidos de alto nível. Deveriam…
Acontece que, acho eu, os polícias foram comer rosquinhas pois não estavam nos esperando na frente do prefeitura. Como nada podia ser feito e o horário de expediente da prefeitura já havia acabado há muito tempo, a secretária do trânsito deixou nós irmos para nossas casas com nossos skates.

Claro, todos fomos direto para casa, menos o pequeno Felipe que ficou algemado na delegacia. Coitado.

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Este é o blog de Gabriel Von Doscht, um rico empresário que largou tudo para se dedicar ao seu verdadeiro dom: fazer pulseirinhas.

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